''''Está claro que Pagot não poderia dirigir setor''''

Crítico mais veemente da indicação de Luiz Antônio Pagot para ocupar a direção-geral do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (DNIT), o senador Mário Couto (PSDB-PA) acha que a aprovação de seu nome foi um erro. O tucano afirma que Pagot foi secretário parlamentar e na mesma época ocupava função numa empresa privada sem abrir mão dos seus vencimentos no Senado. "Na minha opinião, há uma irregularidade patente diante da lei dos servidores públicos", avalia.Couto reclama também da operação desencadeada pela bancada governista e até por setores da oposição para aprovar a nomeação de Pagot. E diz que o Senado não mudou em nada seus critérios, para continuar aprovando indicações políticas para cargos em que a prioridade deveria ser o respaldo técnico.Ele comenta que as nomeações aprovadas pela Casa para a diretoria da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) são hoje criticadas até por integrantes do governo. "Infelizmente, vai continuar tudo mesmo jeito", lamentou. "Infelizmente, vai continuar morrendo gente neste país e que nem sabe pelo quê está morrendo." A seguir, a entrevista:Como o senhor avalia a aprovação de Pagot para ocupar a direção-geral do DNIT?Na minha opinião, há uma irregularidade patente diante da lei dos servidores públicos. De 1995 a 2002, Pagot foi secretário parlamentar do senador Jonas Pinheiro (DEM-MT). Na mesma época, foi diretor de uma empresa privada, a Hermasa Navegação da Amazônia. Nesse período, ele ganhou como salários no Senado cerca de R$ 429 mil. Quase meio milhão! Ele diz que comunicou ao Senado que ia ter outra fonte de renda simultânea. O Senado diz que não. Para mim, está claro que Pagot cometeu uma irregularidade e não poderia dirigir o DNIT.O senhor esperava reverter a opinião dos outros senadores durante a sessão?Eu sabia que seria voto vencido. Havia uma orquestração entre quase todos os partidos. Mas precisava apresentar minha posição e de meu partido, o PSDB. Eu vou para casa com a certeza do meu dever cumprido.O senhor não se sentiu isolado nessa discussão?Não me incomoda discutir contra 50 pessoas. O que me interessa é minha consciência e eu fiquei com ela tranqüila. Há muitas críticas a indicações políticas para cargos técnicos, entre eles diretorias de agências reguladoras e de órgãos como o DNIT. O senhor acha que agora esse problema se repetiu?Infelizmente, vai continuar tudo mesmo jeito. Infelizmente, vai continuar morrendo gente neste país e que nem sabe pelo quê está morrendo. Não entendo por que a situação do senhor Pagot não pode ser investigada. Se até o presidente do Senado, Renan Calheiros, é investigado, por que ele não pode ser?"

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