Está chegando a hora de caso Renan ter um fim, diz Lula

Presidente diz ainda que telefonou ao senador para das os parabéns por votação de projetos

BBC e AE,

08 de agosto de 2007 | 19h52

Em visita à Nicarágua, nesta quarta-feira, 8, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que espera um fim rápido para o processo contra o presidente do Senado, Renan Calheiros, investigado por quebra de decoro parlamentar por suspeita de ter despesas pessoais pagas por uma empreiteira. "O Senado, em algum momento, vai tomar uma decisão. Esse caso não pode ficar a vida inteira dependendo dos discursos políticos. Em algum momento vai ter de decidir. Ou o Senado julga, ou a PF investiga, ou a Suprema Corte julga, porque tudo tem de ter começo, meio e fim. Acho que está chegando a hora de ter um fim", afirmou o presidente.    Veja também:  Cronologia do caso Renan     Renan diz que é 'chefe' do Senado e que Lula não cobra nada'Nada tenho a temer, nada tenho a esconder', diz Renan no Senado  Agripino, líder do DEM, cobra saída de Renan da presidência  Renan reage a pedido de Agripino, líder do DEM  Veja especial sobre o caso Renan Lula disse que telefonou ao senador para lhe dar os parabéns por conseguir votar os projetos que têm importância para o governo.  "Recebi ontem um telefonema do ministro (das Relações Institucionais) Walfrido (dos Mares Guia) me contando que o Congresso tinha votado todas as coisas que tinham importância. Eu liguei para o Renan para dar os parabéns, e ele me contou que o processo de investigação estava em andamento na Suprema Corte", disse Lula em entrevista a jornalistas brasileiros em Manágua, após almoço com o presidente nicaragüense, Daniel Ortega.   Mas Lula não quis arriscar uma previsão para o fim do processo contra o senador. "Quem sou eu para determinar qual o tempo que o Congresso vai ter para decidir? Eu, o máximo que faço, é decidir minha agenda e as coisas no Executivo." Ao responder a uma pergunta sobre se Renan tem o seu apoio, Lula disse que "todo brasileiro, os 190 milhões, terão meu apoio, porque todos são inocentes até que se prove o contrário". O presidente também voltou a afirmar, como no dia anterior, que o processo no Senado não pode prejudicar as votações. "Eu, até agora, estou contente com o comportamento do Congresso Nacional, porque já estou com quase cinco anos de mandato, sou o único presidente da República que nunca fiz queixa do Congresso", afirmou.  Lula disse que o Congresso representa "a cara da sociedade no dia das eleições", e que funciona como caixa de ressonância das convergências e divergências da sociedade. "Precisamos aprender a conviver com a democracia e os percalços da democracia. Que é bom, às vezes incomoda, mas ainda é o melhor regime para que a gente possa viver tranqüilamente", afirmou.    Possíveis substitutos O governo considera inevitável a saída do presidente do Senado, segundo informação do Estado nesta quarta-feira. Apesar do discurso oficial de Lula de que Renan já exibiu vários documentos para provar sua inocência, ministros já admitem, em conversas reservadas, que o Planalto será obrigado a se debruçar - com mais velocidade do que gostaria - sobre nomes aliados para a troca de comando no Senado. Entre os cogitados, estão Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), José Sarney (PMDB-AP), José Agripino (DEM-RN) e Roseana Sarney (PMDB-MA). Nesta quarta-feira, o ministro de Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, avaliou que o caso Renan não vai atrapalhar a votação, no Senado, da prorrogação da CPMF. "Acredito que não e ontem (terça) o presidente (Lula) disse com clareza: o presidente Renan tem todo o direito de se defender e temos que respeitar o direito constitucional de ele se defender no foro correto, que é o Conselho de Ética", disse.  Defesa, STF e nova denúncia Na última terça-feira, Renan sofreu várias derrotas. Foi mais uma vez pressionado por senadores da oposição a deixar a presidência e tentou mais uma vez se defender. Mais uma representação contra ele foi encaminhada ao Conselho de Ética e o inquérito aberto no STF mandou quebrar os sigilos bancário e fiscal do senador.  Em clima tenso no Senado, o presidente da Casa acabou batendo boca com o líder do DEM no Senado, José Agripino (DEM). "Nada tenho a temer, nada tenho a esconder", disse o senador em sua defesa. E não poupou acusações à revista Veja. No início do discurso, afirmou que há dois meses vem sendo vítima de um "impiedoso ataque que já se transformou em campanha". O senador disse que não renuncia à presidência, que vive um calvário e é agredido "diariamente" em uma briga política paroquial.  A Mesa Diretora da Casa ignorou parecer do advogado-geral da Casa, Alberto Cascais, e decidiu encaminhar ao Conselho de Ética a representação do PSOL pedindo investigação da denúncia de que o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) teria beneficiado a cervejaria Schincariol. Após a compra, Renan teria intercedido em favor da empresa no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e na Receita Federal. A fábrica, que estava prestes a fechar, foi comprada por R$ 27 milhões. No inquérito aberto no STF para investigar Renan o relator Ricardo Lewandowski determinou na última terça-feira a quebra dos sigilos bancário e fiscal do senador desde 2000. O inquérito servirá para dar base a eventual denúncia do procurador-geral da República, Antonio Fernando, contra Renan, que tem direito a foro privilegiado por ser senador.  O Democratas também decidiu na terça encaminhar nova representação contra Renan, com base em outra denúncia da revista Veja, de que o presidente do Senado estaria envolvido na compra de emissoras de rádio e de um jornal em Alagoas por intermédio de "laranjas". O PSDB vai acompanhar a representação do DEM, desde que não atrase a investigação já em curso no Conselho de Ética. (Com Denize Bacoccina, da BBC)

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