''''Esse negócio do PAC é ação de marketing''''

O deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP) avalia que, ao agendar visitas ao Nordeste para o fim da semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixa clara a estratégia de evitar recepções negativas em decorrência da crise aérea e do acidente com o Airbus da TAM, na semana passada. Na avaliação do parlamentar, Lula tende a evitar qualquer lugar em que possa ser "submetido a uma desaprovação pública".A decisão do presidente de trocar a agenda de viagens no Centro-Sul pelo Nordeste tem relação com o desgaste da crise área? Acho que o presidente vai procurar evitar qualquer lugar em que ele possa ser submetido a uma desaprovação pública. Acredito que ele tende a buscar lugares onde ele detém um certo controle do comportamento das pessoas, onde o comportamento das pessoas seja favorável a ele. Evidentemente, a aceitação dele é muito maior nos Estados do Norte e do Nordeste do que em outros lugares do País. No Sudeste todo ele está em baixa. Como o sr. avalia a reação do governo à crise e ao acidente no Aeroporto de Congonhas? O governo teve um comportamento desastroso em relação à crise área. A reação ao acidente foi péssima, para dizer o mínimo. O governo não percebeu a dimensão que tomava a crise do setor aéreo. Até agora, passada uma semana do acidente, o Planalto não conseguiu tomar decisão alguma. Anunciou medidas, digamos, oportunistas. Continuam no comando pessoas totalmente desqualificadas para tocar setores importantes, ele não consegue mexer em ninguém. As ações dos setores envolvidos na crise foram as piores possíveis nesse período todo. O que está acontecendo aí é um total descalabro. O sr. acha que é o momento ideal para retomar viagens de lançamento do PAC? Esse negócio do PAC é na verdade uma questão marqueteira. É apenas uma ação de marketing. Mas essa ação pretende amenizar o impacto da crise? Se o presidente Lula tentar essa estratégia, ele vai acabar dando com os burros n?água. Na minha visão, o governo federal perdeu totalmente a noção do que deve ser feito para controlar esse setor. O que deve ser feito?Uma coisa que ele não consegue fazer, que é consolidar os comandos em mãos de pessoas tecnicamente competentes. O governo não dá importância à coisa da qualificação profissional das pessoas. O importante para ele é as pessoas terem a carteirinha do partido. Aí a coisa não anda mesmo. Como o sr. recebeu a reação do assessor especial da presidência Marco Aurélio Garcia? Acredito que ele e o assessor dele não entendem a dimensão de seus gestos. Esse comportamento demonstra uma total inapetência do que é a democracia.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.