Esquerdas e PV se articulam para rivalizar com PT na Câmara

Num movimento para se proteger contra o que consideram "hegemonismo" do PT, os partidos de esquerda da base do governo, PSB e PCdoB, articulam com PDT e PV a formação de um bloco parlamentar de 77 deputados, que seria a terceira maior bancada da Câmara. O objetivo é garantir para esses partidos uma posição importante na mesa diretora da Casa e o controle de três comissões permanentes. O movimento abala a posição do PT na coalizão de governo e pode favorecer a reeleição de Aldo Rebelo (PCdo-B-SP) na disputa contra o petista Arlindo Chinaglia (SP). "O bloco fortalece a autonomia dos partidos de esquerda no Legislativo e, mesmo sem estar vinculado à disputa pela presidência, favorece Aldo", disse à Reuters nesta quinta-feira o presidente em exercício do PSB, Roberto Amaral. Amaral informou que foi incumbido de fazer as negociações com o presidente do PDT, Carlos Lupi, com quem conversaria ainda esta semana. Para negociar com a direção do PV, ficou escalado o futuro líder do PSB, Márcio França (SP). PDT e PV ainda não decidiram quem vão apoiar para a presidência da Câmara. A criação de um bloco da esquerda, incluindo também o PV, é um antigo projeto do PSB e do PCdoB. Dirigentes socialistas e comunistas avaliaram que o acordo entre PT e PMDB para apoiar Chinaglia criou, finalmente, a ocasião propícia para formar o bloco. "O PT optou por um acordo com o PMDB", disse o deputado, e senador eleito, Renato Casagrande (PSB-ES). Trata-se de um movimento "de sobrevivência" dos partidos minoritários da esquerda, que apóiam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas ainda não têm um projeto político comum para o futuro, depois do governo Lula. O PMDB elegeu a maior bancada para a Câmara (89 deputados), seguido pelo PT (83) e pelo PSDB (66). São estes os números que contam para a distribuição dos cargos, independentemente de adesões ou baixas nos partidos. A formação do novo bloco de esquerda alteraria esse quadro. O PSB elegeu 27 deputados; o PDT, 24; PCdoB, 13 e PV, 13. Somando as quatro legendas, o bloco teria 77 deputados, superando o PSDB. Pelo critério da proporcionalidade, o bloco poderia indicar, por exemplo, o candidato a vice-presidente da mesa diretora. Isoladamente, apenas o PSB tem direito a um cargo na mesa, uma simples suplência. Separados, eles também não indicam presidentes e relatores das estratégicas comissões permanentes.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.