Magno Romero/PT
Magno Romero/PT

Esquerda tenta se unir diante do desgaste de Bolsonaro

Documento assinado por lideranças é o primeiro sinal de unidade entre esquerdas desde o início do governo

Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

26 de março de 2019 | 11h55

Os ex-presidenciáveis Fernando Haddad (PT) e Guilherme Boulos (PSOL), o governador do Maranhão, Flavio Dino (PCdoB), o ex-governador da Paraíba Ricardo Coutinho (PSB) e a ex-candidata a vice-presidente Sonia Guajajara (PSOL) se reuniram nesta terça-feira, 26, em Brasília, e aprovaram um texto no qual se contrapoem a pontos da agenda do governo, defendem a liberdade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a unidade da esquerda contra "retrocessos" promovidos pelo presidente Jair Bolsonaro.

O documento destaca o "rápido e profundo desgaste do governo" e é o primeiro sinal de unidade entre forças da esquerda desde o início do governo. O PDT, do ex-presidenciável Ciro Gomes, não participou do encontro. No texto, os líderes da esquerda manifestam oposição ao projeto de reforma da Previdência apresentado elo governo que, segundo eles, representa cortes nos direitos dos mais pobres. 

O documento considera "absurdo" o pedido de Bolsonaro para que o golpe miliar de 1964 seja comemorado e pede respeito aos marcos da democracia e do Estado Democrático de Direito.  Em uma "defesa da soberania" nacional, os líderes reunidos hoje em Brasília dizem que por trás do discurso nacionalista de Bolsonaro, o presidente tem "atitudes marcadamente antinacionais, como vimos na recente visita presidencial aos Estados Unidos" 

Por fim o texto defende que Lula seja tratado de forma isonômica pela Justiça e defende a unidade da esquerda. 

"A reunião de hoje é um gesto para a unidade contra os retrocessos e pela democracia", escreveu Boulos no Twitter após a reunião. Haddad também comentou. Disse que a reunião discutiu "a unidade do campo progressista, contra o projeto antinacional, antipopular é antidemocrático do atual desgoverno."

Leia a íntegra:

Brasília, 26 de março de 2019 

Reunidos nesta manhã em Brasília, realizamos um debate sobre o atual momento nacional, especialmente considerando o rápido e profundo desgaste do Governo Bolsonaro. Destacamos alguns pontos para reflexão de toda a sociedade: 

1.  Estamos atentos e mobilizados para evitar agudos retrocessos sociais, trazidos por esse projeto de Reforma da Previdência, centrado no regime de capitalização e no corte de direitos dos mais pobres. 

2.  Do mesmo modo, convidamos para a defesa da soberania nacional. Consideramos que por trás do suposto discurso patriótico do atual governo há, na prática, atitudes marcadamente antinacionais, como vimos na recente visita presidencial aos Estados Unidos.

3.  Em face da absurda decisão do Governo Bolsonaro de “comemorar” o Golpe Militar de 1964, no próximo dia 31 de março, manifestamos nossa solidariedade aos torturados e às famílias dos desaparecidos. Sublinhamos a centralidade da questão democrática, que se manifesta na defesa do Estado de Direito, das garantias fundamentais e no repúdio a atos de violência contra populações pobres e exploradas, a exemplo das periferias, dos negros e dos índios. Não aceitamos a criminalização dos movimentos sociais, uma vez que eles são essenciais para uma vivência autenticamente democrática. 

Nesse contexto, é urgente assegurar ao ex-presidente Lula seus direitos previstos em lei e tratamento isonômico, não se justificando a manutenção de sua prisão sem condenação transitada em julgado. 

Por fim, essa reunião expressa o desejo de ampla unidade do campo democrático para resistir aos retrocessos e oferecer propostas progressistas para o Brasil.

Fernando Haddad 

Ex-candidato a presidente da República 

Guilherme Boulos 

Ex-candidato a presidente da República 

Flávio Dino 

Governador do Maranhão 

Sonia Guajajajra 

Ex-candidata a vice-presidente da República

Ricardo Coutinho 

Ex-governador da Paraíba

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