MARCOS DE PAULA/ESTADÃO
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'Esquerda errou muito no poder', diz ministro da Cultura

Juca Ferreira falou durante evento da UNE na capital fluminense e afirmou que 'não podemos parecer com a direita, nós não temos direito de acesso à corrupção'

CLARISSA THOMÉ, Estadão Conteúdo

04 Fevereiro 2015 | 21h33

Rio - O ministro da Cultura, Juca Ferreira, reconheceu que a "esquerda errou muito no poder" e defendeu a retomada de "um projeto generoso" para o Brasil. Ele fez crítica ainda aos casos de corrupção envolvendo integrantes do governo. "Não podemos parecer com a direita. Nós não temos direito de acesso à corrupção", afirmou Ferreira, para uma plateia de estudantes universitários e do ensino médio, quer participava da 9.ª Bienal da União Nacional dos Estudantes, na Lapa.

Muito aplaudido, Ferreira falava sobre o suposto crescimento da direita no Brasil. "A direita nunca foi tão forte no Brasil. Eles estão produzindo líderes que podem se tornar absolutamente perigosos. Eu seria hipócrita se não dissesse que a esquerda errou muito no poder. Não podemos parecer com a direita. Nós não temos direito de acesso à corrupção", afirmou.

Para o ministro, "a corrupção é um mecanismo da direita, de desmoralizar o Estado, é uma maneira de garantir que a população desacredite nas lideranças, desacredite nos partidos, que não tenha esperança. Nós ajudamos nesse momento difícil que o Brasil está passando. Toda vez que a esquerda se parece com a direita, quem ganha é a direita. É preciso retomar rapidamente um projeto generoso, onde caibam todos os brasileiros e brasileiras", continuou.

Ferreira encontrou uma plateia muito mais amistosa que o ministro Miguel Rossetto, da Secretaria-geral da Presidência, vaiado na segunda-feira, 2, por militantes do PSOL. Rossetto foi acuado ao afirmar que "não há reforma neoliberal e não há corte em nenhum programa social do povo brasileiro" no segundo mandato da presidente Dilma Rousseff (PT). Nesta quarta, o público era formado basicamente por integrantes da União da Juventude Socialista, ligada ao PCdoB.

O ministro foi saudado como ex-presidente da União Brasileira de Estudantes Secundaristas (Ubes). Diante da principal demanda dos estudantes - a regulamentação da Lei da Meia Entrada -, disse que a questão estaria resolvida "se dependesse da uma canetada" sua. Mas não detalhou em que bases se daria essa regulamentação. 

"A meia entrada historicamente é o mecanismo para que a juventude tenha acesso à cultura. Houve evolução enorme nas negociações. Eu sugiro que a UNE entre em contato com a representação dos artistas porque é fundamental que essa regulamentação seja feita", afirmou.

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