Esquerda do PT resiste a eleição ''por consenso''

Ala vê manobra em favor de Gilberto Carvalho, assessor do presidente, para comandar sigla

Clarissa Oliveira, O Estadao de S.Paulo

11 de abril de 2009 | 00h00

Em meio a pressões para que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva libere seu chefe de gabinete, Gilberto Carvalho, para presidir o PT, setores da esquerda petista decidiram reagir ao que classificam como "manobra" para burlar a democracia interna no processo que escolherá, em novembro, a nova direção da sigla. Apesar de persistir em várias correntes a tese de que o nome de Carvalho é consenso, é certo que terá ao menos um adversário, se aceitar concorrer.O nome virá da corrente Articulação de Esquerda, muito provavelmente com apoio da Militância Socialista. A maior chance, por enquanto, é que a candidata seja a deputada Iriny Lopes (PT-ES). "Seria extraordinário ter uma mulher comandando o PT no momento em que lançamos uma mulher candidata à Presidência", comentou o secretário de Relações Internacionais do PT, Valter Pomar, em referência à ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.Representante da Articulação de Esquerda e candidato à presidência petista em 2005 e 2007, Pomar deve ficar de fora. A não ser que a sigla reveja o entendimento de seu estatuto, ele está impedido de ocupar cargos em comissões executivas do partido no próximo mandato. A regra é a mesma que impede, por exemplo, a recondução do presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP).Apesar das especulações, ainda é incerto se Carvalho de fato disputará o comando do PT. Nas últimas semanas, o chefe de gabinete de Lula conversou com vários dirigentes petistas sobre o assunto e, em todos os casos, deu a mesma explicação: Lula não quer que deixe o Planalto. O presidente já disse à cúpula petista que avalia que Carvalho não tem perfil para a função. Ainda assim, vários setores continuam pressionando pela candidatura, sob o argumento de que nenhum outro nome unificaria as correntes. ?UNIDADE ARTIFICIAL?A Articulação de Esquerda e a Militância Socialista são as primeiras correntes a se posicionar contra a tese de que o PT tem de buscar um nome de consenso, a fim de evitar que a disputa prejudique a eleição de 2010. "Essa unidade é artificial", reage Pomar, que acusa a corrente Construindo um Novo Brasil (CNB) de manobrar para recuperar poder na legenda. Ele argumenta que, para evitar a disputa, o grupo poderia ter apoiado a proposta de adiar a eleição interna para 2011.Antes conhecida como o Campo Majoritário do PT, a CNB é o grupo do presidente Lula, integrado também por Carvalho e por nomes como o ex-ministro José Dirceu. A corrente deu as cartas no partido até o escândalo do mensalão e hoje tem 42% do Diretório Nacional. "Não temos problema algum com o nome do Gilberto, pelo contrário. Mas achamos que ele serve de biombo para interesses escusos", disse Pomar."A questão que se coloca não é encontrar um nome, mas garantir a autonomia em relação ao governo. Nesse aspecto, a candidatura de Gilberto pode até atrapalhar", disse Gilney Viana, candidato derrotado à presidência do PT em 2007, pela chapa Militância Socialista.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.