Esquerda do PT busca adesões por mudança já na economia

Até o fim da semana, os 15 deputados federais que assinam a "Declaração de Páscoa - Antes que seja tarde: mudança já!" buscam novas adesões ao documento que será apresentado ao diretório nacional do PT, no fim de semana. Na quarta-feira, outros 8 deputados da Articulação de Esquerda lançaram sem alarde um manifesto exigindo a "redução substancial do superávit primário para 2005 e 2006" e, entre outros itens, "a renegociação das dívidas dos municípios e sua transformação em investimentos do governo federal". "Nos marcos (da atual política econômica), o mais provável é a manutenção e ampliação dos atuais níveis de desemprego, arrocho salarial e crise social", diz Valter Pomar, um dos líderes da Articulação de Esquerda. As contradições da atual política com a história do PT e seu projeto de futuro, diz Pomar, "levarão o governo mudar, mais cedo ou mais tarde". O que não está definido é o prazo e o sentido da mudança, afirma. Mas "é insustentável a opção por manter tudo" - a atual estratégia macroeconômica e suas variáveis, como as altas taxas de juros. "Isso resultaria, no curto prazo, numa derrota do PT, do governo e, no médio prazo, numa tragédia histórica", diz Pomar, defensor da redução do superávit primário, do juros, da ampliação de investimentos públicos e de maior agilidade à reforma agrária, entre outros itens. Irreversível - "Quanto mais o tempo passa, mais irreversível se torna a política econômica e a crise que vivemos", alerta o deputado Ivan Valente (SP), integrante do grupo dos 15, do diretório nacional e da Força Socialista. "A reação do ministro Antônio Palocci (Fazenda) às mudanças que sugerimos mostra que o governo aceita a chantagem e o terrorismo do mercado. É a incorporação até a medula dos dogmas liberais. Não estamos fazendo só uma discussão técnica, mas política." Palocci deixou claro que as propostas padeciam de "esquerdismo, doença infantil". A "Declaração de Páscoa" prega a flexibilização "responsável" das metas de inflação, o controle das tarifas públicas, a redução da carga tributária sobre os setores produtivos e, entre outros pontos, a auditoria e renegociação da dívida externa. Também quer novos rumos para os programas sociais e recomenda a mobilização popular: "O verdadeiro apoio ao nosso governo implica em estimular, de baixo para cima, um movimento massivo pelo redirecionamento político." Na extrema esquerdo PT, o mote ainda é o rompimento total com o FMI. "Não podemos trocar seis por meia dúzia", diz Marcus Sokol, da corrente O Trabalho, referindo-se à "Declaração".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.