Esquema de traficante com deputado foi recomendado a Beira-Mar

As investigações realizadas pela Polícia Federal mostraram que o esquema supostamente integrado pelo deputado federal Pinheiro Landim (PMDB-CE) também foi recomendado ao traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar.Quem fez a oferta foi o próprio Leonaldo Dias Mendonça, durante conversa com Beira-Mar, que havia, na época, sido recambiado para o Brasil, depois de ter sido preso na Colômbia.Beira-Mar ficou com receio de aceitar o esquema apresentado por Leonardo. Desconfiado, ele perguntou ao então colega se a pessoa seria um intermediário. Dias Mendonça, no entanto, garantiu que ?o cara era de confiança do pessoal?. Ele no entanto, não estava se referindo ao deputado, mas a um advogado que, segundo registros na portaria da PF, esteve visitando Beira-Mar.As relações entre Beira-Mar e Dias Mendonça, durante algum tempo, se não foram respeitosas, sempre tiveram cordialidade. Mas, nos últimos tempos, o traficante fluminense prometeu matar não só Dias, como toda a sua família, por causa de uma dívida de US$ 1,3 milhão.Antes disso, porém, Beira-Mar recorreu a Leonardo para poder ganhar liberdade, mas não conseguiu convencê-lo a entrar no seu esquema. Beira-Mar afirmou que teria outro esquema, envolvendo ex-integrantes do Poder Judiciário, cujo valor era de US$ 1 milhão, sendo que o pagamento deveria ser feito 50% no dia da negociação e o restante quando tivesse em liberdade.No entanto, o único entrave do negócio seria o prazo para sair da prisão: não menos que dois anos. Se Beira-Mar pediu ajuda a Dias Mendonça para ganhar a liberdade, isso não foi motivo suficiente para deixar de cobrar a dívida. Depois das ameaças, feitas por intermédio do também traficante Marcos Marinho dos Santos, o Chapolim, Beira-Mar conseguiu fechar um acordo com Leonardo, tomando-lhe um posto de gasolina situado em Brasília, no valor de R$ 1.5 milhão, além de uma mansão numa área nobre de Goiânia, valorizada em US$ 200 mil.Os dois imóveis, que estão em nome de laranjas, não estão contabilizados entre os bens levantados pela Justiça e Ministério Público Federal, no Rio. Todas as negociações foram intermediadas por Sílvio Rodrigues da Silva, que aparece em diversos diálogos conversando com Landim, na gravação feita pela PF.Ele também recebeu depósitos em dinheiro vindos de um doleiro do Suriname na conta corrente de sua mulher, Sirleide Bezerra Alves, e transferiu R$ 80 mil para a conta do advogado Denis Gonçalves, advogado de Beira-Mar. Mas, durante os dois anos de investigações, não houve qualquer referência ou relação direta ou indireta de Beira-Mar com o parlamentar.Procurado nesta quarta-feira, o deputado não respondeu aos recados e nem se encontra em seu gabinete.

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