Esquema de suborno da Siemens é investigado em países da AL

A Siemens montou um verdadeiro esquema de guerra para subornar na última década funcionários públicos nos principais mercados da América Latina e garantir contratos de infra-estrutura em toda a região. O Estado revelou que a empresa está sendo investigada na Alemanha por supostos pagamentos de propinas no valor de 8 milhões de euros no Brasil. Na Alemanha, a Siemens fez questão de admitir todos os casos divulgados nesta semana contra ela. "A Siemens está fechando um capítulo doloroso de sua história", afirmou Gerhard Cromme, presidente do Conselho de Supervisão da Siemens.   Veja também: Ministério Público investiga contratos da Siemens no País    Na segunda-feira, as multas em relação à empresa foram anunciadas e a Siemens confessou o pagamento de subornos, sem entrar em detalhes. Nos Estados Unidos, ela chega a US$ 800 milhões, além de outros US$ 533,6 milhões anunciados na Alemanha.   As operações da gigante alemã incluíam até mesmo pagamentos para as contas de políticos argentinos e mexicanos ou para funcionários públicos no governo socialista na Venezuela. Essas são algumas das conclusões da investigação feita em colaboração pelo Tribunal de Munique e pela Justiça americana. No total, a Siemens usou US$ 1,3 bilhão para subornar pessoas em todo o mundo desde meados dos anos 90.   No total, a Siemens gastou 850 milhões de euros em supostos pagamentos de consultores para, na realidade, corromper funcionários públicos em todo o mundo. No total, 4,2 mil transações foram registradas pela empresa para o pagamento de subornos em todo o mundo. 16 países investigam a Siemens.   Segundo a investigação na Alemanha e Estados Unidos, a que o Estado teve acesso, a Siemens fez "significativos pagamentos diretos e indiretos" a vários políticos argentinos entre 1998 e 2007. O dinheiro era dado "em troca de um tratamento diferenciado dado à empresa". No total, US$ 31,2 milhões foram usados para pagar subornos no país. Na contabilidade, esse dinheiro aparecia como taxas de consultores e de advogados.   Entre 2001 e 2007, a Siemens também pagou US$ 18,7 milhões em propinas a funcionários públicos no governo venezuelano. Os pagamentos eram feitos "indiretamente por meio de supostos consultores". Segundo os documentos, o dinheiro era dado "em troca de tratamento privilegiado em conexão com dois importantes projetos de transporte metropolitanos, conhecidos como Metro Valencia e Metro Maracaibo". "Alguns dos pagamentos foram feitos usando contas em bancos nos Estados Unidos em nome dos supostos consultores", afirma o processo.   Tanto na Argentina como na Venezuela a Siemens já confessou os crimes. No México, as acusação é de que contratos de refinaria teriam sido ganhos pela Siemens com a ajuda dos subornos.   Saddam   Mas o que mais surpreendeu os investigadores é de que o suborno não tinha mesmo qualquer relação ideológica ou religiosa. Entre 2000 e 2002, as subsidiárias da Siemens na França e Turquia ganharam nada menos que 42 contratos de mais de US$ 80 milhões do Ministério do Petróleo do governo de Saddam Hussein, no Iraque.   Os contratos foram dados no âmbito do programa da ONU "Petróleo por Alimentos". Como o Iraque estava sob sanções da ONU, os contratos podiam apenas ser estabelecidos no marco das Nações Unidas. Segundo a investigação, a Siemens pagou subornos de US$ 1,7 milhão para funcionários públicos no Iraque. Os contratos renderam lucros para a empresa de US$ 38 milhões.   O esquema foi revelado também pelo Tribunal de Munique e pelo Departamento de Justiça dos EStados Unidos. "A Siemens inflava o preço dos contratos em cerca de 10% antes de enviá-los para a ONU para sua aprovação", afirmam os documentos da investigação. Para isso, registravam os pagamentos de suborno como pagamentos a consultores locais e comissões.    

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