Ricardo Moraes/Reuters
Ricardo Moraes/Reuters

Bolsonaro desfila em carro aberto e se emociona em cerimônia de posse

Aparato inclui 12 mil policiais, agentes infiltrados no público e mísseis antiaéreos; desfile de Bolsonaro em carro aberto não foi confirmado

Gilberto Amendola e Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

01 Janeiro 2019 | 05h00
Atualizado 01 Janeiro 2019 | 15h21

Por volta das 14h deu  início a cerimônia de posse de Jair Bolsonaro como novo presidente da República do Brasil. O trajeto foi marcado pela emoção do presidente eleito que ascenou para os apoiantes que o aguardavam pelo caminho.

Antes de embarcar no Rolls Royce, Bolsonaro fez uma pausa para cumprimentar o padre João Firmino, da Catedral Metropolitana de Brasília. Em seguida, continuou o desfile em carro aberto, contrariando a expectativa de fazer o caminho em veículo fechado. 

Antes de desembarcar no Congresso, Bolsonaro fez ainda o movimento de armas com as mãos, sinal que o caracterizou durante a campanha eleitoral. No veículo, o presidente eleito era acompanhado por Michelle Bolsonaro e Carlos Bolsonaro, esposa e filho do presidente eleito.

A posse tem o maior esquema de segurança já visto em Brasília. Mais de 12 mil policiais militares, civis e federais e bombeiros, além de integrantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica serão distribuídos em pontos-chave da Esplanada dos Ministérios e de todo o Distrito Federal. Além de uma série de medidas restritivas à circulação, mísseis antiaéreos, capazes de atingir uma aeronave a 7 quilômetros de distância, estarão preparados para responder a qualquer sinal de hostilidade.

Desde a semana passada, a Polícia Federal apura suposta ameaça contra Bolsonaro. O autor seria um grupo que se define como “terrorista” e reivindicou ter colocado uma bomba em uma igreja em Brazlândia, região administrativa do Distrito Federal, na madrugada de Natal. O artefato explosivo foi desarmado pela Polícia Militar.

Ainda como candidato à Presidência, Bolsonaro sofreu um atentado durante um ato público de campanha, em Juiz de Fora, Minas Gerais. Enquanto era carregado por apoiadores, o então presidenciável foi esfaqueado por Adélio Bispo de Oliveira – que está preso numa penitenciária federal de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul.

Durante a cerimônia desta terça-feira, Bolsonaro vai usar um colete à prova de balas. Entre os 12 mil militares e policiais destacados para a segurança haverá uma série de agentes infiltrados na multidão (que tem público estimado em pelo menos 250 mil pessoas). Atiradores de elite serão posicionados em pontos estratégicos da Esplanada.

Ainda como reforço à segurança, a organização da cerimônia não confirmou se Bolsonaro vai desfilar em carro aberto. A decisão deve ser tomada poucas horas antes do início do evento. Durante o ensaio, no domingo, foi usado carro fechado.

Esplanada e ruas próximas estão interditadas desde domingo. Pela primeira vez em Brasília, soldados do Exército cercaram a parte debaixo da Esplanada e outras áreas com arame farpado e lâminas (concertina).

A partir da rodoviária do Plano Piloto foram instaladas quatro linhas de revista e detecção de metais. Quem quiser acompanhar a posse só terá acesso à Esplanada à pé – ainda assim precisará passar por outras quatro barreiras e revistas.

A lista de proibições é extensa. Entre os itens proibidos estão bebidas alcoólicas, carrinhos de bebês, fogos de artifício, bolsas, mochilas, guarda-chuva, animais e até garrafas de água (postos para distribuição de água foram montados ao longo da Esplanada. O uso de drones também está proibido – e será considerado como um equipamento de alto risco à segurança do presidente.

As navegações no Lago Paranoá também sofreram restrições. A Marinha proibiu, por exemplo, a permanência de embarcações a uma distância inferior a 100 metros da Ponte JK e 50 metros das demais pontes e barragem do Paranoá.

Pelo ar. O presidente Michel Temer assinou um decreto em que autoriza as Forças Armadas a abater aeronaves “suspeitas ou hostis que possam apresentar ameaça à segurança” na cerimônia de posse de Bolsonaro. O espaço aéreo será fechado.

De acordo com o decreto, as aeronaves consideradas suspeitas devem ser submetidas a “medidas coercitivas progressivas”. Isso significa que, caso alguma aeronave suspeita se aproxime, a Aeronáutica primeiro fará contato via rádio para determinar a mudança de rota. Na hipótese de a aeronave não responder ou não obedecer, serão disparados tiros de advertência. Por último, e se não houver qualquer tipo de resposta, a aeronave poderá ser derrubada. Em casos extremos, a aeronave pode ser considerada hostil de forma imediata. Ou seja, ser abatida sem a necessidade dos avisos anteriores.

Dois mísseis antiaéreos guiados a laser, capazes de abater aviões a até 7 quilômetros de distância, são parte do aparato de segurança. Os militares também usarão um radar portátil para identificar aeronaves voando a baixa altitude. Esta é a primeira vez que equipamentos do tipo serão utilizados durante a posse de um presidente da República brasileiro.

Buscas. As ações para assegurar a tranquilidade da posse começaram na véspera. A PF e a Polícia Civil do Distrito Federal cumpriram ontem sete mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, em Goiás e em São Paulo, na investigação sobre o grupo Maldição Ancestral, suspeito de ameaçar Bolsonaro. Na investigação sobre o caso da bomba em Brazlândia, a Polícia Civil alertou à PF que texto no site do grupo falava sobre um possível ataque.

“Se a facada não foi suficiente para matar Bolsonaro, talvez ele venha a ter mais surpresas. Dia 1.º de janeiro de 2019 haverá aqui em Brasília a posse presidencial, e estamos em Brasília e temos armas e mais explosivos”, dizia o texto. As investigações, sigilosas, apuram o crime de associação criminosa, além de outros ilícitos que possam a vir a ser identificados.

Imprensa. O trabalho da imprensa será mais restrito durante a posse. Os profissionais estão proibidos de carregar mochilas e máscaras, e de circular entre os prédios do Congresso Nacional e do Palácio do Planalto. O contato com a população será limitado à Praça dos Três Poderes. Os jornalistas irão se concentrar no Centro Cultural Banco do Brasil e todo o deslocamento vai ser feito em ônibus do próprio governo.

Espaço aéreo de Brasília será fechado com 12 pontos de tiro

O Exército e a Aeronáutica estão mantendo ativos em Brasília 12 pontos de tiro de interceptação de invasores do espaço aéreo – além, claro, dos jatos F-5M e turboélices A-29 Super Tucano da FAB em alerta. A defesa antiaérea será exercida por meio de dois tipos de mísseis, os Igla-S, russos, e os RBS-70, suecos.

O Igla é do mesmo tipo empregado na segurança direta do presidente da Rússia, Vladimir Putin. Ambos os modelos são de porte pessoal, disparados por apenas um homem, embora o time, em condições ideais, possa ter três militares. O RBS-70 é orientado para o objetivo por um feixe de luz laser. O alvo pode estar a até 8 km de distância e a 5 mil metros de altitude. Voa a 1,9 mil km/hora. A carga explosiva de 1,1 kg, lança 3 mil pequenas esferas de tungstênio contra a aeronave interceptada. O Igla-S procura o ponto de impacto em um raio de 6 km e na altitude máxima de 3,5 mil metros, usando dois tipos de sensores de calor. O princípio de disparo é o mesmo. 

A vigilância da área está sendo feita por radares Saber-60, nacionais, com alcance de 60 km. O esquema de segurança mobiliza 12 mil homens (3,5 mil policiais, 8,5 combatentes das Forças Armadas), blindados armados, lanchas artilhadas, helicópteros, equipes de operações especiais e carros rápidos. Durante todo o dia o tráfego aéreo em Brasília será restrito e as rodovias de acesso à cidade controladas por barreiras. No núcleo central da capital os voos estão proibidos. / COLABOROU BRENO PIRES

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