Esquema de informantes facilita roubo de carga no porto de Santos

Os membros da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (IPMI), que apura os roubos de carga em Santos, passaram dois dias na cidade tomando depoimentos. Eles têm certeza de que há um forte esquema de informação dentro do porto de Santos para facilitar a ação das quadrilhas. "Há uma estrutura boa de informação sobre o tipo de mercadoria e o caminhão que as transporta", disse o senador Romeu Tuma (PFL). Para ele, essa é a única explicação para o roubo de contêineres na subida da serra. ?No meio de centenas de caminhões, os criminosos sabem exatamente os que interessam", afirmou Tuma. O empresário da área de transportes, Arthur Kohler, caiu em várias contradições no depoimento que prestou hoje aos parlamentares da CPMI. Em 2000, ele foi preso em flagrante quando dois caminhões de sua empresa foram interceptados pela polícia em Corumbá. Os motoristas tinham as notas da mercadorias que deveriam seguir para a Bolívia, mas os contêineres estavam vazios. Kohler alegou que aceitara o serviço porque ele e sua família estavam sendo ameaçados por uma pessoa conhecida apenas por Beto. Diante das ameaças, ele cedeu dois caminhões para o transporte da carga entre o porto de Santos e a Bolívia. Os veículos teriam sido interceptados no caminho. Suas explicações não convenceram e foi decretada a quebra de seu sigilo bancário e telefônico, além do pedido de indiciamento por obstrução dos trabalhos da comissão e co-autoria no crime.A deputada federal Telma de Souza (PT) revelou que o relatório final da CPMI será concluído em 30 de julho. Uma das conclusões a que os parlamentares chegaram, segundo ela, é a de que o roubo, a estocagem, a receptação e a revenda dessas mercadorias se desviaram do Sudeste para o Nordeste, "onde a ação da polícia tem menos eficácia". Telma informou que há suspeitas de que "seguradoras operariam duplamente, em ação junto com transportadores". Ela explicou que "a receptação estaria sendo feita num plano integrado".

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