Esquema de habeas-corpus para traficantes também transferia presos

As investigações feitas pela Polícia Federal (PF) nos últimos três anos, em torno do traficante Leonardo Dias Mendonça, o Léo, indicam que, além do suposto esquema de facilitação de concessão de habeas-corpus, o grupo também teria negociado transferência de presos.Os indícios de que o esquema era bem maior do que se supunha vieram de uma gravação telefônica feita entre um traficante e uma mulher, que confirmava a transferência do marido. O diálogo foi gravado no dia 30 de março de 2000, quando se iniciaram as investigações em torno de Dias Mendonça.A partir daí, a PF descobriu o suposto envolvimento do deputado federal Pinheiro Landim (sem partido) com o traficante e seu grupo. Nas conversas, Landim chega a discutir com Wilson Torres, sócio de Léo, com quem o parlamentar chegou a dialogar e com quem se encontrou em um posto de gasolina, ao lado do Aeroporto de Brasília.Na gravação da PF, a mulher identificada como Núbia Zanine, que seria mulher do traficante Ecival de Pádua Santomé, o Pé na Cova, fala com o traficante Vicente de Paulo Lima, o Peru, sobre a transferência do marido de uma penitenciária ? não revelada nas investigações ? para Goiânia. ?E aí? Você falou com o povo? O que eles acharam??, pergunta Peru à Núbia, que responde. ?Falei, mas aí a gente tinha de encontrar para conversar, né? Direito. Eu também consegui uma transferência pra cá, né? Aí, eu consigo para trazer ou CCP ou para Cepaigo (duas penitenciárias de Goiânia).?Nas negociações, conforme se deduz, há o envolvimento de outras pessoas, mas as investigações ainda não concluíram quem seriam. As suspeitas recaem sobre integrantes do Judiciário. Peru, durante a conversa com Núbia, fala sobre o assunto. ?Mas o quê cê acha, lá? Será que o povo topa, isso aí??, pergunta, provavelmente referindo-se ao intermediador das transferências. ?Ah, eu não sei, viu? Ficou da gente conversar depois. Eu tenho de ir lá conversar com ele direitinho, né??, responde a mulher de Santomé.VerbaMais adiante, o traficante ligado a Léo afirma que as negociações, que se referem a outros presos e não a Pé na Cova, também estavam em andamento. No diálogo, os interlocutores não revelam nomes ou locais.?Escuta, parece que tem, tem um jeito de resolver o problema lá, né? Eu fiquei sabendo aqui. E tá dependendo de um, duma verba, né??, diz Peru a Núbia. ?É, tá dependendo. Eu só volto semana que vem para ver direitinho?, responde a mulher, encerrando o assunto com o traficante. ?Acho que tem de aproveitar isso, né? Tá sabendo mais ou menos, né, que num tem jeito da gente tá conversando por telefone também.?Segundo fontes da PF, a conversa foi gravada quando as investigações ainda não apontavam o suposto esquema de liberação de habeas-corpus, mas já mostravam uma intensa atuação dar rede de pessoas ligadas a Leonardo Dias Mendonça. O tráfico e suas conexões

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.