Esquadrilha da Fumaça bate recorde mundial

O Esquadrão de Demonstração Aérea (EDA) da Força Aérea Brasileira (FAB), a Esquadrilha da Fumaça, bateu o próprio recorde. Às 10h35, sob um céu limpo, na cidade de Pirassununga, onze aeronaves T-27 Tucano voaram de dorso (de ponta-cabeça) em formação. O recorde anterior, de 1996, registrado no Guinness Book, era de dez aeronaves. O feito integrou a programação de 50 anos da Esquadrilha da Fumaça, completados no dia 14 deste mês. Durante o final de semana, de ontem a domingo, a Academia da Força Aérea Brasileira, sediada em Pirassununga, abriu as portas para o público. Cerca de 20 mil pessoas aplaudiram a superação dos onze pilotos do grupo, comandados pelo coronel Otto Voget. A programação do final de semana inclui ainda vôos de acrobatas civis, paraquedismo, exposição de aeronaves da FAB, do Exército e da Aeronáutica, além de demonstração de vôos dos aviões atualmente utilizados pela Força Aérea Brasileira. O mais aguardado foi o ALX, fabricado pela Embraer. Aeronave leve de ataque, como é designado, o ALX integra o Projeto Sivam e será usado para a interceptação de tráfego ilícito na fronteira do País, explicou Voget. Uma das 99 unidades que estão sendo fabricadas no Brasil, usada no vôo de demonstração, está exposta em Pirassununga. "Pouca gente, inclusive poucos pilotos da FAB, viu esse aparelho voando", comentou o coronel. Apesar da novidade, a grande atração da festa para o público é mesmo a Esquadrilha da Fumaça. A organização estima que 70 mil pessoas visitem a FAB por dia, em média, durante o final de semana festivo. O vendedor José Ricardo da Silva saiu com a família de Jundiaí para prestigiar os pilotos. "É um show imperdível", disse, comemorando o recorde. A gerente Ana Paula Cardoso, de Campinas, aprovou o novo visual dos aviões da esquadrilha, pintados com as cores da bandeira, que estreou no final de fevereiro. "os pilotos são corajosos e tornam o Brasil referência". A tietagem é motivo de orgulho para os ases da aviação nacional. "A Esquadrilha é um órgão de relações públicas. Esse recorde não é nosso, mas do Brasil", disse o piloto e capitão Márcio Guimarães de Oliveira. Guimarães é o caçula do grupo, ingressou na esquadrilha há um ano e meio. O mais antigo é o major Neves Neto, que está no EDA há seis anos. O tempo regular de permanência é quatro anos, explicou o capitão José Agnaldo de Moura, outro integrante da seleta equipe. O major é exceção, mas continua porque houve uma interrupção das atividades do EDA de 21 meses, entre 2000 e 2002, para a revisão estrutural das aeronaves. O capitão Moura contou que, após as reformas, o T-27 ainda tem muitas horas de vôo pela frente. Não há previsão de substituição. Já o capitão tem somente mais um ano como piloto da equipe. "É preciso abrir para os novos talentos e novas idéias", afirmou. Ele disse ter ficado emocionado com o recorde e contou que o grupo passou a última semana treinando para evitar falhas. O trajeto percorrido pela Esquadrilha de dorso e em formação foi de cerca de três quilômetros. "É um vôo muito difícil porque os comandos ficam invertidos", explicou o coronel Voget. Ele acrescentou que a superação "prova que os pilotos brasileiros estão entre os melhores do mundo". Além de demonstração de capacidade, a quebra do recorde insere a FAB no mundo internacional da aviação, diz o coronel.

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