"Espírito de corpo" fundamentará encontro do PFL

O "espírito de corpo" deverá fundamentar a posição do PFL, amanhã em São Luís, de solidariedade ao senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) que vive a ameaça de enfrentar um processo de cassação de mandato. O partido reúne na capital maranhense seus dirigentes, ministros e governadores, com o objetivo de não deixar a situação política de ACM "contaminar" o debate, programado para discutir o programa do partido para 2002, no reduto político da governadora Roseana Sarney. Mas a presença do senador baiano, que foi convidado para participar da reunião, embora não faça parte da Executiva, é o sinal de apoio e de confiança do PFL na defesa que ACM fará sobre seu envolvimento na violação do painel eletrônico do Senado."Num episódio dessa natureza, é vital que o partido saia em espírito de corpo: não vamos fazer com ACM o que o PSDB fez com o Arruda (senador José Roberto Arruda, também envolvido no escândalo da violação do painel), jogando-o para as cobras", reagiu um dirigente pefelista. "Arruda era o líder do governo e foi tratado sem nenhuma consideração; Antonio Carlos é um de nossos principais líderes e o PFL tem que estar do lado dele", acrescentou. Prova disso, completa o pefelista, é que ACM foi incluído no programa eleitoral que o partido leva ao ar na próxima quinta-feira. A fala de Magalhães, de duração de um minuto, será mantida na íntegra. O PFL usa essa informação para "fazer a diferença" do PSDB, que na quarta-feira passada retirou de seu programa eleitoral, veiculado no dia seguinte, a participação de 50 segundos do senador Arruda. A exclusão de Arruda do programa tucano ocorreu no dia em que ele afastou-se da liderança do governo, depois que sua defesa no plenário do Senado foi considerada "inconsistente" pelo governo. Nos três encontros programados para amanhã, a cúpula pefelista fará tudo para evitar que a crise envolvendo ACM transforme-se no tema principal da reunião. Tentará manter uma discussão reservada do tema, deixando que as manifestações de apoio sejam feitas isoladamente. O próprio senador Antonio Carlos decidiu que não irá falar publicamente sobre sua tese de defesa na próxima quinta-feira, no Conselho de Ética do Senado, quando será ouvido pelos demais senadores. Ele pretende limitar-se a agradecer a solidariedade prestada pelo PFL e, sem maiores detalhes, reafirmar que está sendo vítima de uma injustiça. Mas políticos carlistas já prepararam a defesa de ACM na reunião de São Luís. Para o governador da Bahia, César Borges, será impossível fugir do assunto durante o encontro pefelista. "O senador é uma figura de destaque do partido e do Parlamento, que está sendo vítima de uma série de circunstâncias para se desviar a atenção de outras questões que realmente interessam à opinião pública", afirmou Borges. "A sociedade - acrescentou ele - está mais interessada nas investigações sobre irregularidades na Sudam do que algo que ocorreu há um ano durante a cassação de um ex-senador".

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