Espíritas são os mais escolarizados, mostra Censo 2000

Os brasileiros que afirmam ser espíritas são os mais escolarizados, com média de 9,6 anos de estudo. Em seguida, vêm os praticantes de Umbanda e Candomblé, com 7,2 anos. Católicos estão na faixa intermediária (5,6) e são os evangélicos pentecostais que têm o menor nível de instrução (5,3).Os detalhes sobre religiosidade da população são revelados pelos resultados definitivos do Censo 2000, divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. A pesquisa também confirmou o fenômeno da explosão dos evangélicos na década de 90.Entre os dois Censos, de 1991 e 2000, dobrou o porcentual de pessoas que se autodeclaram pertencentes a alguma igreja evangélica, de 9,1% para 15,4%. O de católicos caiu de 83% para 74%. Em 2000, o País tinha 124 milhões de católicos e 26 milhões de evangélicos.Os 20 milhões restantes da população se dividiam entre espiritismo, as religiões afro (Candomblé e Umbanda) e vários outros cultos. Outra tendência registrada na década foi o aumento dos brasileiros sem religião. Eles eram apenas 4,8% da população em 1991 e passaram para 7,4% em 2000."O que vemos é um avanço de novas religiões e das pessoas que afirmam não ter religião. O povo ainda é predominantemente católico, mas agora você vê uma transferência para outros grupos", disse Nilza de Oliveira Martins Pereira, gerente do Departamento de População e Indicadores Sociais do IBGE.A pesquisa também mostra as diferenças regionais por religião. Os católicos estão concentrados nos pequenos municípios e os evangélicos, nos grandes centros. Nas cidades pequenas, 82,8% são católicos e, nas grandes, essa proporção cai para 66,5%. Já os evangélicos têm seus maiores porcentuais (18%) nos municípios com mais de 100 mil habitantes, e os menores (11%) naqueles com menos de 20 mil."Nas grandes cidades, o aparecimento de novas religiões, principalmente igrejas evangélicas, fica clara na pesquisa", acrescenta Nilza. É o grupo das mulheres que moram em cidades médias e grandes que concentra o maior contingente de evangélicos. Tanto nos municípios que têm entre 100 e 500 mil quanto nos com mais de 500 mil habitantes o porcentual de mulheres evangélicas fica em torno de 20%.E há indícios de que o avanço dos evangélicos vai continuar porque a religião ganha mais adeptos também entre os mais jovens. Na faixa de idade de até 14 anos, existe os maiores porcentuais de evangélicos, o oposto do que ocorre com os católicos, que têm sua maiores proporções nas pessoas com mais de 65 anos.O Estado mais evangélico é Rondônia (27,3%), e o mais católico, Piauí. Os resultados definitivos do Censo trazem detalhes sobre os municípios: em quatro cidades gaúchas (Nova Roma do Sul, Nova Alvorada, União da Serra e Vesparsiano Corrêa), 100% da população disse ser católica. A maior proporção de evangélicos de missão (batistas etc.) também foi encontrada em um município gaúcho, a cidade 15 de Novembro (80,4%).Mais curioso ainda é que outra cidade do Rio Grande do Sul também tem o maior porcentual de praticantes de Umbanda e Candomblé, 6,1% em Rio Grande. Outro cruzamento interessante feito pelo IBGE mostra a opção religiosa por cor. Os católicos têm maioria branca (54%), com 38% de pardos e 5,8% de pretos. Já os praticantes das religiões afro têm grandes proporções de pretos (18%) e os espíritas crescem em brancos (76%).

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