Espionagem é 'pior ou igual' a terrorismo, afirma Dilma

Presidente evita comentar suposta comparação feita por presidente russo sobre denúncias de monitoramento dos EUA, mas reafirmou achar ato 'gravíssimo'

Fernando Nakagawa, enviado especial

06 de setembro de 2013 | 11h53

São Petersburgo - A presidente Dilma Rousseff não confirmou, nem negou que a expressão "terrorismo" tenha sido usada pelo grupo dos maiores países emergentes, os Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), para se referir à espionagem supostamente feita pelos Estados Unidos. Nessa quinta-feira, 5, o porta-voz do gabinete presidencial russo, Dmitry Peskov, disse que os Brics teriam comparado a espionagem com "terrorismo". "Não vou dizer se alguém falou ou não falou porque posso não ter ouvido. Mas acho gravíssimo. É pior ou igual", disse Dilma nesta sexta, 6

 

Dilma afirmou que "não ouviu" o presidente russo, Vladimir Putin, usar a expressão "terrorismo" ao tratar da suspeita de espionagem dos Estados Unidos sobre terceiros países. "Você sabe que em uma reunião que tem russo, chinês e indiano eu posso não ter ouvido. Mas eu acho irrelevante essa comparação. É pior ou é igual. Acho que é gravíssimo espionar um país democrático", disse Dilma antes de retornar ao Brasil em entrevista no aeroporto de São Petersburgo.

 

"Não vejo como alguém defenda que espionar um país democrático, espionar a privacidade de pessoas, dos cidadãos e quebrar a soberania de um país possa ser algo simples", disse. "A gente tem de dar os nomes que as coisas merecem. Terrorismo é terrorismo e espionagem de país democrático é espionagem. Sem julgamento de valor", afirmou, ao comentar que os líderes dos cinco maiores países emergentes "não estavam satisfeitos" com o tema na reunião realizada nessa quinta antes da abertura do encontro de cúpula do G-20.

 

A revelação de que Dilma e seus assessores seriam monitorados pela Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigla em inglês) desagradou a presidente, que durante a entrevista desta sexta, afirmou que levará à ONU propostas por uma "nova governança contra invasão de privacidade".

 

Nessa quinta, depois de encontro com Dilma sobre assunto, o presidente Barack Obama prometeu uma resposta ao governo brasileiro até a próxima quarta-feira, 11.

 

Tudo o que sabemos sobre:
espionagemDilmaG-20

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.