Espião da Abin coordenou na PF todas as escutas, diz revista

Segundo a 'IstoÉ', Francisco Ambrósio do Nascimento funcionaria como elo entre Protógenes e agentes da Abin

AE, Agencia Estado

06 de setembro de 2008 | 11h29

Reportagem publicada na edição desta semana na revista IstoÉ identifica no agente Francisco Ambrósio do Nascimento, da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), o espião que coordenou na Polícia Federal uma equipe que fez a escuta de 18 senadores, 26 deputados, de ministros do Judiciário, da ministra Dilma Rousseff e do secretário-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho. Conforme a reportagem, Nascimento, ex-agente do extinto Serviço Nacional de Inteligência (SNI), foi uma espécie de braço direito do delegado Protógenes Queiroz na Operação Satiagraha, "funcionando com elo entre Protógenes e agentes da Abin" cedidos à operação. Veja também: Espião do caso Correio é investigado Felix confirma presença na CPI dos Grampos na terça Oposição pede que MP investigue grampo ilegal no STF Ministro diz que há 'banalização' de grampos no País A reportagem sustenta que foram gravadas milhares de horas de diálogos telefônicos, realizados monitoramentos e centenas de filmagens "que compõem as entranhas da Satiagraha". Muitas das escutas extrapolaram as autorizações legais da Justiça, entre elas a que gravou a conversa entre o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), segundo a reportagem. As escutas também teriam sido feitas em telefones de "advogados, lobistas e inúmeros jornalistas". Segundo a reportagem, Nascimento e os agentes da Abin envolvidos na Satiagraha - a operação na qual chegou a ser preso o banqueiro Daniel Dantas - se instalaram em uma sala do Máscara Negra, como é chamado o prédio-sede da PF em Brasília. Apesar disso, segundo a reportagem, nem o diretor da Divisão de Inteligência, delegado Daniel Lorenz, nem o diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, "sabiam das missões confiadas ou da autonomia concedida ao espião". Ambrósio Nascimento usava crachá e senha de funcionária da PF para entrar no prédio e usar os computadores sem deixar rastros, segundo a IstoÉ.

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