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Espero que o STJ deixe o povo me julgar em outubro, diz Lula a rádio

'Eu terei que ser considerado um preso político e eles terão que arcar com a responsabilidade de prender a pessoa que foi o melhor presidente do Brasil', disse o petista

Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

06 Março 2018 | 13h50

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse esperar que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) considere sua inocência e permita que ele seja julgado pelo povo nas eleições de outubro. A Quinta Turma do STJ analisa nesta terça-feira o pedido de habeas corpus preventivo de Lula, que tenta impedir uma prisão antes de se esgotarem todos os recursos na Justiça.

"Hoje tem um julgamento no STJ, não entendo bem essa questão jurídica, mas espero que as pessoas leiam o processo, leiam as acusações, leiam a defesa para que me declarem inocente e deixem o povo brasileiro me julgar em outubro", disse o ex-presidente em entrevista à Rádio Metrópole, de Salvador.

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Na entrevista, Lula afirmou que espera ser candidato à Presidência da República e que as instâncias superiores revertam a condenação na Lava Jato. "Eu estou consciente que eu vou ser candidato, estou trabalhando para isso", disse o petista.

Ele pode ser impedido de concorrer ao Planalto se confirmada sua condenação em segunda instância. "Eu acredito que haverá nas instâncias superiores a preocupação em analisar o processo, eu não posso ser vítima de uma mentira contada pela imprensa, pela Polícia Federal, pelo Ministério Público e pelo [juiz Sérgio] Moro."

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O petista disse esperar que a Justiça o considere inocente até o dia de registro da sua candidatura, cujo prazo limite é 15 de agosto. "Obviamente que, se eu não for inocentado e estiver com a ficha suja, eles não vão deixar nem meu nome entrar na cédula." Se não for candidato, Lula repetiu que quer ser "uma pessoa de muita influência na política brasileira". Ele negou declarar algum "plano B" caso não seja candidato.

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Defendendo-se das acusações que originaram sua condenação, Lula negou novamente ser proprietário do triplex no Guarujá (SP), o qual o Ministério Público Federal (MPF) aponta ser do ex-presidente.

PESQUISAS

Apontado em pesquisas eleitorais como o favorito nas intenções de voto, se conseguir ser candidato, Lula afirmou que pode ganhar o pleito já no primeiro turno. "Quando fazem pesquisa, eu estou em primeiro lugar e sozinho eu ganho as eleições no primeiro turno", disse Lula. "É por isso que tem unanimidade hoje para que eu não seja candidato. Porque eu posso, primeiro, ganhar no primeiro turno. Se não ganhar, vou para o segundo turno e ganho no segundo turno."

Pesquisa CNT/MDA divulgada nesta terça-feira mostra Lula liderando o cenário para a corrida presidencial com 33,4% (na escolha estimulada), seguido por Jair Bolsonaro (PSC), com 16,8%; Marina Silva (Rede), com 7,8%; Geraldo Alckmin (PSDB), com 6,4%; e Ciro Gomes (PDT), com 4,3%. A entrevista com Lula foi feita antes da divulgação da pesquisa.

PRISÃO

Ao comentar o julgamento dos embargos de declaração no Tribunal Regional Federal da 4º Região (TRF-4), o petista disse que, se o processo terminar com sua prisão, ele deverá ser considerado um preso político. "Se não provarem um real na minha conta, um dólar na minha conta, uma telha na minha conta que não seja minha, eu terei que ser considerado um preso político e eles terão que arcar com a responsabilidade de prender a pessoa que foi o melhor presidente do Brasil."

Lula repetiu que "está candidato", porque ainda não foi confirmado em convenção do PT. "Se eles entenderem que devem evitar minha candidatura, eles façam isso e arquem com as consequências do que pode acontecer nas candidaturas", disse o petista. O ex-presidente afirmou que acredita na Justiça e que, por isso, está recorrendo para reverter a condenação de 12 anos e um mês por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

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