Wilton Junior/Estadão
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Espero que Levy seja convincente sobre ajuste, diz Temer

Para vice-presidente, encontro do ministro da Fazenda com lideranças do PMDB é 'primeiro passo' para que ajuste fiscal seja vitorioso no Congresso

Rafael Moraes Moura, O Estado de S. Paulo

23 Fevereiro 2015 | 20h29

Brasília - Antes de participar de jantar com o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e com a cúpula do PMDB no Palácio do Jaburu, o vice-presidente Michel Temer afirmou na noite desta segunda-feira, 23, que o encontro é o "primeiro passo" para que o ajuste fiscal seja vitorioso no Congresso Nacional. Temer disse esperar que Levy seja convincente na exposição dos argumentos sobre o ajuste e assegurou que a presidente Dilma Rousseff pode contar com o PMDB na aprovação de matérias de interesse do governo no Congresso.

Levy participará na noite desta segunda-feira de jantar com Temer, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, o presidente do Senado, Renan Calheiros, ministros do PMDB e líderes do partido. O jantar faz parte de uma ofensiva para evitar derrotas do governo em votação de interesses do Palácio do Planalto no Congresso e marca uma estratégia de reaproximação da presidente Dilma Rousseff com o PMDB, afinal o clima entre Planalto e o partido tem sido marcado por uma série de atritos nas últimas semanas.

"Ele (Levy) prontamente atendeu ao convite (do jantar), estará conosco hoje à noite e eu espero que possa ser convincente com os argumentos que apresentará, já que para o Brasil é importantíssimo, neste momento, o ajustamento fiscal", comentou Temer a jornalistas, ao deixar o gabinete no Planalto.

"Eu acho que (o jantar) é o primeiro passo para que o ajuste fiscal possa vir a ser vitorioso no Congresso Nacional, é preciso começar o diálogo e começar pela área econômica. É preciso fazer um reajustamento, uma reprogramação para que a economia continue saudável no nosso País", disse o vice-presidente.

No dia 29 de dezembro, o Planalto anunciou que vai tornar mais rígido o acesso a benefícios trabalhistas e espera economizar cerca de R$ 18 bilhões por ano com as medidas, que alteram as regras para concessão de abono salarial, seguro-desemprego, pensão por morte e auxílio-doença. Questionado se estaria empenhado para garantir a aprovação do ajuste fiscal, Temer respondeu que o assunto "vai caber ao Congresso Nacional".

"Participei 24 anos do Congresso Nacional e estou muito acostumado às negociações. O governo vai examinar esse assunto, são questões importantíssimas, porque no fundo fazem parte desse ajustamento econômico, fiscal, que tá sendo proposto. Acho que o diálogo está aberto, qual será o resultado, vamos ver adiante", afirmou Temer.

Sobre o veto presidencial ao reajuste de 6,5% da tabela do Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF), Temer destacou que os desdobramentos dessa questão dependerão dos diálogos mantidos com os parlamentares.

"Esse diálogo está sendo feito com maior intensidade nesses últimos tempos, aumentará sensivelmente, é importante que se preste toda a homenagem ao Congresso Nacional, porque quem dá a última palavra nessa matéria legislativa é o Congresso", comentou. "As relações são harmoniosas, as relações continuarão muito produtivas entre o Executivo e o Legislativo. Esse tema continuará sendo debatido."

Indagado pelo Broadcast Político se a presidente Dilma Rousseff poderia contar com o apoio do PMDB na aprovação de matérias de interesse do governo, o vice-presidente respondeu: "Seguramente".

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