MARCOS ARCOVERDE/ESTADÃO
MARCOS ARCOVERDE/ESTADÃO

'Esperança venceu o medo e coragem vai vencer a chantagem e o golpismo', diz presidente do PT

Rui Falcão afirmou que caminho do enfrentamento vai tirar o País do ambiente de 'instabilidade e ameaças de impeachment', permitindo a retomada do crescimento econômico

Ana Fernandes e Valmar Hupsel Filho, O Estado de S.Paulo

03 de dezembro de 2015 | 20h05

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, convocou uma coletiva na noite desta quinta-feira, 3, e defendeu a estratégia de enfrentamento ao processo de impeachment, que foi desencadeada indiretamente por uma mensagem sua publicada nas redes sociais na terça-feira, 1. Falcão argumentou que o enfrentamento do PT e do governo às "chantagens" de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) vai levar o Planalto a conseguir uma nova governabilidade e tirar o País da crise.

"Assim como a esperança venceu o medo a coragem vai vencer a chantagem e o golpismo", disse Falcão. Na terça-feira, à revelia do governo federal, Rui Falcão disse nas redes sociais que os integrantes petistas no Conselho de Ética deveriam votar pela admissibilidade do processo contra Cunha. Os deputados seguiram a recomendação do dirigente e anunciaram que votariam contra os interesses do peemedebista. Cunha então retaliou e deferiu o pedido de impeachment contra Dilma.

"Tenho certeza que, agora, com essa decisão de separar o joio do trigo, nós abrimos um novo caminho, o caminho para estabelecer uma nova governabilidade no País", defendeu Falcão. O presidente do PT afirmou ainda que o caminho do enfrentamento vai tirar o País do ambiente de "instabilidade e ameaças de impeachment", permitindo a retomada do crescimento econômico.

A argumentação dele demonstra que o partido poderia, com essa estratégia, se reaproximar de uma imagem ligada à ética, além de reafirmar a legitimidade do governo. "Agora é um bom momento para que a gente possa renovar os costumes políticos no País, manter ativo o combate à corrupção e recobrar a confiança da população na Política com P maiúsculo, sem concessões éticas e sem barganhas. Nós podemos aqui revalidar o resultado das eleições de 2014, que a turma do quanto pior melhor tenta reverter no tapetão 'made in Suíça'", disse alfinetando Eduardo Cunha.

Falcão disse ainda que a militância do partido será recuperada com esse movimento de enfrentamento a Cunha, o que vai ser fundamental para enterrar o processo de impeachment. "Essa luta em defesa da democracia, do mandato conquistado nas urnas, é uma batalha que o PT travará de bom grado, aliás a decisão dos nossos deputados de votarem pela continuidade do processo no conselho de ética uniu a nossa militância no País inteiro, que está disposta a se mobilizar."

Processo espúrio. Falcão reforçou o discurso de "mocinha versus bandido" colocado por porta-vozes do governo. Ele repetiu que o processo aceito por Cunha não tem embasamento jurídico e é 'espúrio'. "É um processo espúrio, provocado por alguém (Cunha) que, acuado pelas denúncias de corrupção, resolveu sem qualquer lastro jurídico, sem qualquer base legal, tentar abreviar o mandato da presidenta é muito ruim para o País."

O dirigente reforçou o discurso contra o 'golpismo' e à favor da 'democracia'. "Nesse momento, o que está em jogo não é se gosta da Dilma, se gosta do governo ou não. O que está em jogo agora é a democracia do País, que foi conquistada duramente." Ele argumentou ainda que, segundo soube, o vice-presidente Michel Temer - 'constitucionalista de renome' disse que o processo aberto não tem "qualquer lastro jurídico". "(Temer) não participará de nenhum tipo de golpismo, nenhuma tratativa para conspirar contra um governo do qual ele participa", frisou.

Falcão também desmentiu "cabalmente" o que foi dito por Cunha, de que o governo e Dilma Rousseff teriam barganhado com o Congresso para aprovar medidas. "Em nenhum momento a presidenta ou nenhum membro do governo faria esse tipo de negociação apontado pelos deputados que representam o Eduardo Cunha", afirmou.

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