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Especialistas não vêem solução para a dengue

Especialistas reunidos no 5º Congresso Brasileiro de Epidemiologia, encerrado hoje em Curitiba, manifestaram grande preocupação com a volta da dengue no Brasil e a falta de soluções para controle ou erradicação do Aedes aegypti, mosquito transmissor da doença. "Ninguém pode dizer que detém a solução para o controle do dengue no Brasil", lamentou o professor da Universidade de Brasília, Pedro Tauil. Para a professora do Instituto de Saúde Coletiva, da Universidade Federal da Bahia, Maria da Glória Teixeira, há fatores que dificultam o combate, como a velocidade de circulação do vírus, a capacidade do mosquito de se adaptar aos ambientes e a incapacidade do homem de se proteger contra as infecções. A perspectiva de uma vacina ainda é remota. A experiência mais avançada é a tailandesa, mas está ainda em fase de testes. "O que precisamos é evitar óbitos", disse. "O problema, mais que polêmico, é complexo, pois estamos sem armas para o combate."Para ela, o crescimento desordenado das cidades pode ser uma das explicações da epidemia de dengue. "Mais de 80% da população é urbanizada, e uma grande fração vive em condições insatisfatórias de habitação, de saneamento e de coleta de lixo", disse. Segundo ela, a dengue é uma doença "estranha", pois à medida que a pessoa pega a infecção fica mais suscetível à doença, que pode se manifestar posteriormente em forma mais grave."A reemergência está alterando o perfil de morbidade e mortalidade", afirmou. Para ela, as maiores dificuldades, além da falta de vacina, é o fato de o controle estar centrado no vetor (o mosquito), embora este seja importante. "Há concepção errônea de que a redução de vetores diminui a circulação viral", disse. A professora também considera falho o trabalho da vigilância epidemiológica, por seguir métodos não apropriados. "Pega-se a experiência de outras doenças e coloca para a dengue, mas é insuficiente, em razão da velocidade do vírus, que é maior que nossa capacidade de acabar com o vetor", alertou.O Rio de Janeiro, que hoje tem o maior número de casos no Brasil, deve ultrapassar a marca de 100 mil notificações, disse a secretária municipal de Saúde, Meri Baram. Esses números se juntarão aos cerca de 80 milhões de novos casos de dengue registrados anualmente em todo o mundo. "A dengue é um desafio complexo para o Brasil e para o mundo nos próximos anos", afirmou o diretor do Centro Nacional de Epidemiologia (Cenepi), do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa da Silva Júnior.Para ele, programas centrados em combate químico são importantes, mas insuficientes para chegar a um índice baixíssimo de infecção. "Na dengue, a redução de casos não é sinal de final, pois têm-se anos de tranqüilidade relativa até que venham novos registros", disse. Segundo ele, é preciso melhorar a vigilância epidemiológica e laboratorial, além de se ter um índice confiável sobre os números da infestação. Ele também conclamou a população a continuar assumindo o papel ativo no trabalho de controle dos vetores, com a limpeza de locais onde a água possa ficar parada. "Não tenho nenhuma solução mágica para a dengue", afirmou.

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