Especialistas condenam idéia de submarino nuclear

Avaliação é de que País não precisa desse armamento para se proteger após descoberta de megajazida de petróleo; tese foi defendida por Jobim

Alberto Komatsu, RIO, O Estadao de S.Paulo

17 de novembro de 2007 | 00h00

O Brasil não necessita de um submarino nuclear para proteger suas riquezas naturais e seu território contra a invasão de outros países ou evitar atentados terroristas, conforme defendeu na quinta-feira o ministro de Defesa, Nelson Jobim. A avaliação é de especialistas em política internacional que participaram ontem de seminário sobre segurança, realizado no Forte de Copacabana, zona sul do Rio.Foi nesse evento que Jobim falou sobre a necessidade de o País aumentar sua capacidade de defesa, principalmente após a descoberta de uma reserva gigante de petróleo e gás na Bacia de Santos. "Eu creio que não necessariamente a militarização ou a aquisição de armamentos serão a garantia de defesa dos recursos naturais do Brasil. Creio que deveriam ser criados outros sistemas", afirmou a diretora-executiva do Instituto Venezuelano de Estudos Sociais e Políticos (Invesp), Francine Jácome, durante a 4ª Conferência do Forte de Copacabana. Segurança internacional: um diálogo Europa-América do Sul.Para ela, melhor seria se o Brasil investisse em meios pacíficos para defender suas riquezas naturais, como a cooperação internacional, de modo a criar mecanismos de confiança mútua, ou até mesmo o estabelecimento de zonas de paz. "Outro elemento importante são mecanismos de inteligência", acrescentou Francine.Ela criticou o fato de a Venezuela, país rico em reservas de petróleo, usar a defesa das riquezas naturais como pretexto para legitimar o aumento de seu poderio militar, com a compra de aviões e 100 mil fuzis, anunciada recentemente pelo presidente Hugo Chávez. "Na Venezuela, uma das razões básicas para criar a guarda territorial é exatamente a defesa das reservas de petróleo", observou Francine.O diretor da Associação para Políticas Públicas de Buenos Aires, Diego Fleitas, também sustentou que o Brasil não necessita de um submarino nuclear para proteger suas reservas de petróleo. "Para defender os recursos na costa brasileira, em princípio, não há necessidade de um submarino nuclear", disse. De acordo com Fleitas, o submarino nuclear é estratégico para nações que queiram revidar o ataque de uma potência, ou até mesmo atacar, devido a seu poder de alcance de grandes distâncias. "Para defender algo que esteja a 400 quilômetros da costa, você não necessita de submarino nuclear. O mais importante é um projeto estratégico sem foco expansionista", defendeu."O ministro Jobim usou o momento de sua fala para exercer um pouco uma questão mais política. Ele não falou ali como expert, mas como político", avaliou o diretor do Centro de Estudos das Américas (CEA), da Universidade Cândido Mendes, Clóvis Brigagão. Segundo ele, "é ingenuidade" afirmar que um país como o Brasil precisa de apenas um submarino, seja ele nuclear, ou não, para defender seu território e o Oceano Atlântico.

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