Especial: Especialistas divergem sobre soluções para transporte em SP

Propostas vão desde a instalação do pedágio urbano nas regiões centrais da Capital até a integração mais avançada dos sistemas atuais

Daiene Cardoso e Guilherme Waltenberg

19 Junho 2012 | 16h04

São Paulo - Mesmo os especialistas em soluções de mobilidade urbana advertem que não é simples resolver os problemas de transporte numa cidade do porte de São Paulo. As propostas vão desde a instalação do pedágio urbano nas regiões centrais da Capital até a integração mais avançada dos atuais sistemas de transporte. Na avaliação do professor de economia de Harvard Edward Glaeser, o ideal seria investir maciçamente nos corredores de ônibus e implantar o pedágio urbano. "O pedágio urbano é uma política impopular. Mas em Londres, o governo afirmou que a implantação do sistema ajudaria a financiar mais ônibus."

 

O professor Antônio Carlos Moraes, de política econômica da pós-graduação da PUC-SP, defende uma integração maior entre os meios que ele chama de "alta, média e baixa capacidade de passageiros". "Metrô e trem são meios de transporte com alta capacidade, corredores de ônibus com média e ônibus de linha com baixa", afirma. "Você tem de fato uma hierarquia, de locais que precisam mais ou menos capacidade de transporte. O que ajudaria muito é olhar esses sistemas como um conjunto e não pensar de maneira isolada."

 

Para Glaeser, a redução do IPI para automóveis e a maior facilidade no acesso ao crédito para a compra de carros anunciadas recentemente pelo governo Dilma são "contraproducentes para o congestionamento urbano". "Sob o ponto de vista do congestionamento é contraproducente. Uma das razões de Cingapura, mesmo sendo a segunda cidade mais densa do planeta, ter um trânsito rápido nos horários de pico, é tributar muito os carros. A não ser que você tenha políticas que barrem o excesso de veículos nos horários de pico, torná-los mais baratos só torna o problema pior ainda", disse o professor de Harvard.

 

Origem histórica. Antônio Carlos Moraes afirma que os problemas de mobilidade na Capital têm origem histórica, em razão da forma como a cidade de São Paulo foi estruturada. "A Capital foi criada no conceito de cidade radial, periferia no lado e empregos no centro", afirma. No seu entender, isso incentiva as pessoas a terem que realizar grandes viagens dentro da cidade para chegar às suas casas ou locais de trabalho.

 

Para complicar ainda mais, o professor cita outros fatores negativos. "A CPTM, que carregava 1,7 milhões de passageiros, está próximo dos 3 milhões. O metrô, que tinha 2,5 milhões, passou para 4 milhões. O acesso ao metrô degradou o serviço. Aumentou a possibilidade de acesso, mas tirou o conforto", afirma. "A demanda é tão carente que, se fizer, lota", reforça. Para Moraes, a análise do transporte urbano tem de ser dividida em custo, tempo, confiabilidade, conforto do deslocamento e acesso.

 

Outro ponto considerado deficiente para o professor da PUC é a ausência de uma autoridade metropolitana com "força e recursos para tomar decisões". "O uso do mapa urbano (é feito) de uma maneira anárquica, decidida pelo capital privado, especialmente a especulação imobiliária. Empresas de um lado, casa do outro, e o transporte que corra atrás", aponta.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.