ESPECIAL-Atuação da Embrapa vira instrumento de política externa

A excelência da Empresa Brasileira dePesquisa Agropecuária (Embrapa) a transformou em ferramenta dapolítica externa brasileira, reforçando a imagem de liderançasolidária do presidente Luiz Inácio Lula da Silva entre paíseslatino-americanos e africanos. Além de prestígio político, os convênios bilaterais decooperação técnica da Embrapa, que também são feitos com paísesdesenvolvidos, geram oportunidades para empresas brasileirasfornecedoras de insumos, máquinas e equipamentos. "A Embrapa é um instrumento da política externa. A área decooperação é muito importante", ressaltou o embaixador LuizHenrique Pereira da Fonseca, diretor da Agência Brasileira deCooperação (ABC). A instituição é o órgão do Ministério dasRelações Exteriores que coordena todos os programas decooperação técnica internacional mantidos pelo Brasil. Criada em dezembro de 1972 como um órgão do Ministério daAgricultura, a Embrapa foi concebida para desenvolvertecnologias que ajudassem a elevar a produção agrícolanacional. Com o passar dos anos, o Brasil virou uma potência nosetor e a Embrapa passou a ser assediada por outros países. Em praticamente todas as viagens internacionais dopresidente Lula, seus anfitriões demonstram interesse pelotrabalho da estatal. Não bastasse, a diretoria da empresarecebe por semana até três missões estrangeiras atrás deparcerias. Na terça-feira, por exemplo, os executivos daEmbrapa receberam uma comitiva liderada pelo ministro daAgricultura e Desenvolvimento Rural de Israel, Shalom Simhon. Atualmente, a Embrapa mantém parcerias com 49 países. Asprincipais demandas são de tecnologias para a produção dealimentos e biocombustíveis. "A questão alimentar é o grande tema dos dias de hoje e oBrasil tem condições de ajudar muito. Temos o que oferecernessa área", destacou o diretor da ABC. Em relação ao etanol e ao biodiesel, é de interesse doBrasil que mais países produzam esses combustíveis. Só assimeles virarão commodities. As recentes críticas de que o álcoolseria um dos responsáveis pela alta dos preços dos alimentos,no entanto, fez o interesse por projetos no segmento diminuir. VOCAÇÃO HUMANITÁRIA A Embrapa transfere técnicas que elevam a produtividade daagricultura tropical e da produção em áreas de cerrado ousavana. Grande parte dos países em desenvolvimento encontra-seem regiões com esses tipos de vegetação. Em outros convênios, o foco é o conhecimento de sistemas edinâmicas da criação de animais. É o caso da Venezuela, querecebeu a ajuda da Embrapa para implementar projetos deavicultura familiar. A empresa também é procurada para auxiliarno fortalecimento de centros de pesquisas, como acontece com oInstituto de Inovação Agropecuária da Bolívia e entidades deAngola e do Congo. "O Brasil tem uma vocação humanitária. Temos obrigação detransferir conhecimentos, particularmente a países da AméricaLatina e da África. A Embrapa recebeu ajuda dos EUA em seucomeço", comentou o chefe da Assessoria Internacional dainstituição, Elisio Contini. "Isso coaduna com a política externa brasileira. Somosexecutores das políticas do governo. Se conseguimos ajudaresses países, não é de graça. Eles serão gratos. Quandoprecisarmos, irão nos ajudar", acrescentou. Para o embaixador de Honduras em Brasília, Victor ManuelLozano Urbina, a Embrapa é reconhecida como a maior instituiçãolatino-americana de pesquisa em tecnologia agropecuária e umadas maiores e melhores de todo o mundo. A internacionalizaçãoda instituição, argumentou o diplomata, aproxima o Brasil deoutros países. "O Brasil é o líder da América Latina. O presidente Lulaestá consolidando uma liderança que é indiscutível", destacou oembaixador. "Queremos uma sede da Embrapa na América Central.Os presidentes da região discutirão isso com o presidente Lulano fim do ano, em Salvador." A Embrapa já abriu um escritórioem Gana. JANELA DE OPORTUNIDADES As parcerias bilaterais de cooperação também beneficiam aEmbrapa. Os pesquisadores da instituição têm acesso a novastecnologias em países desenvolvidos, que depois são trazidas eempregadas no Brasil. Por isso, a Embrapa matém equipes depesquisadores em instituições dos Estados Unidos, França eHolanda. "Ganhamos conhecimento e levantamos o nível e aqualificação dos nossos pesquisadores. Nosso objetivo final émanter a competitividade do agronegócio brasileiro no futuro",declarou Contini. Além da aproximação política, a presença da Embrapa noexterior gera oportunidades de negócios para empresasbrasileiras. Quando a instituição de pesquisa ajuda os países aaumentarem a produtividade no campo, a demanda por equipamentostende a aumentar. A Dedini Indústrias de Base, que produz máquinas e unidadescompletas para os setores de etanol e alimentos, é uma dasbeneficiadas. Segundo o diretor de Exportações da companhia,Antonio Carlos Pereira, a ida da Embrapa a Angola, Moçambique eNigéria, despertou o interesse do empresariado local pelosprodutos da Dedini. O executivo reclama, no entanto, da falta de entrosamentoentre os setores público e privado. "O trabalho da Embrapa émuito bom, mas ela age sozinha e nós também. É preciso umamaior sinergia. O ganho seria muito maior", ponderou Pereira.

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