Espanhol propõe, no Fórum Social, "refundar" a esquerda

Numa conferência lotada do Fórum Social Mundial (FSM), na capital gaúcha, o dirigente do movimento político espanhol Esquerda Unida, Manoel Monereo, foi muito aplaudido hoje quando propôs a "refundação" das esquerdas. Monereo disse que a esquerda precisa "virar a página", já que terminou com derrota uma etapa. Seus três grandes projetos no último século estão esgotados, analisou o dirigente espanhol: a esquerda comunista, a esquerda social democrata e a esquerda libertária. Por isso, sugeriu partir "da melhor tradição que temos", enumerando a crítica ao capitalismo, a luta pela sociedade livre e pela emancipação social, e aliar estas posturas ao que chamou de "elemento de emancipação".Para democratizar o poder mundial, propôs transferir renda do hemisfério norte para o sul. No mesmo painel, o diretor-geral do Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (Clacso), Atílio Borón, enumerou outras quatro sugestões com o mesmo objetivo. Borón defendeu a regulação do sistema financeiro internacional, a aplicação da Taxa Tobin para os capitais especulativos, uma coordenação das políticas tributárias internacionais, para "evitar a chantagem dos grandes monopólios", e a eliminação do trabalho infantil.O dirigente da Esquerda Unida espanhola elogiou, em sua entrevista, o PT, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Os três representam "a esperança mais significativa", segundo ele, de que a América Latina possa ter um processo de liberação social, nacional e cultural. "O problema dos países latinos é que não há referências alternativas", observou, atribuindo ao PT, à CUT e ao MST este papel no Brasil.Questionado se um eventual governo petista no Brasil seria diferente dos demais, Monereo disse estar convencido disto por causa da pressão dos movimentos populares ligados à legenda. "Aqui há um movimento popular tão forte que fará com que aesquerda no poder faça políticas de esquerda", previu Monereo.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.