Esforço do PMDB é para conseguir 52 votos a Sarney

Partido tenta repetir votação que livrou Renan Calheiros da cassação em dezembro de 2007

CHRISTIANE SAMARCO, Agencia Estado

02 de fevereiro de 2009 | 08h00

Todo o esforço do PMDB na eleição para presidência do Senado hoje será para, no mínimo, restaurar o painel de votação da defesa do líder Renan Calheiros (PMDB-AL), que se livrou da cassação em dezembro de 2007 com o apoio de 52 senadores. Esta é a "base" do grupo de José Sarney (PMDB-AP), sobretudo com o PSDB do governador de São Paulo, José Serra, operando contra o candidato peemedebista. Embora não tenha interferido diretamente na disputa, pedindo voto a senadores, fontes do Senado revelam que Serra procurou o governador tucano de Roraima, José de Anchieta Júnior, e pediu para que ele tentasse virar o voto do senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR), adversário do líder do governo Romero Jucá (PMDB-RR). Veja também: PT admite traições a Temer se Sarney vencer Entenda a disputa no Congresso  A sucessão dos presidentes do Senado    Opine: Quem vai ganhar no Senado e na Câmara? O PMDB não passa recibo da interferência do governador paulista. "Não acredito que o Serra tenha participado. Ele seria a última pessoa a dizer que o PT é ético e que significa mudança", desdenhou o senador Calheiros, que assume hoje, oficialmente, o comando da liderança do partido no Senado. Otimista, ele aposta que Sarney vai se eleger presidente, na sessão plenária que começa as 10h de hoje, com o apoio de cerca de 55 senadores. Apesar da certeza de vitória com uma margem que varia de 45 a 55 votos, o candidato petista Tião Viana (AC) encerrou o domingo contabilizando 43 dos 81 votos do Senado.Para consolo do governo, que amanhece o dia preocupado em administrar a crise na base, petistas e peemedebistas dão sinais de boa vontade e falam em "serenidade e pacificação", a despeito dos ânimos acirrados. "Não vamos aceitar provocação. Esta candidatura do Tião sempre quis afastar o PMDB da base governista", avisa Renan.Depois de praticamente fechar o apoio dos tucanos a Sarney, o PMDB ainda não se conformou com a reviravolta do PSDB que fez ressurgir com força a candidatura de Viana, na qual ninguém apostava mais. "Trata-se de uma eleição dura e o resultado é imprevisível: tanto pode dar um, como pode dar o outro", avaliou ontem o senador Jarbas Vasconcelos (PE), voto certo do PMDB para Tião Viana. Jarbas e o candidato petista avaliam que o PMDB pode dar a Viana quatro ou cinco votos.

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