Escuta contra o STF é ''inaceitável'', diz Tarso

Ministro afirma que suposto monitoramento não foi ordenado pela PF: ?Se houve, é marginal?

Márcia Vieira e Clarissa Thomé, O Estadao de S.Paulo

11 de agosto de 2008 | 00h00

Era para ser uma caminhada de apoio ao deputado estadual Alessandro Molon, candidato à Prefeitura do Rio pelo PT, pela orla de Ipanema e Leblon, na zona sul da cidade. Mas a chuva atrapalhou os planos do ministro da Justiça, Tarso Genro, que foi obrigado a ficar sob um toldo na Avenida Vieira Souto, conversando com Molon e outros petistas.O ministro comentou a denúncia da revista Veja desta semana, que revela que o gabinete do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, foi alvo de "possível monitoramento" telefônico ilegal. Segundo a revista, o chefe de gabinete da Presidência, Gilberto Carvalho, também teria sido monitorado por escuta clandestina dentro do Palácio do Planalto."Não acredito que tenha havido escuta no Palácio do Planalto. Mas a Polícia Federal está à disposição para investigar, se for o caso." Na véspera, em Niterói, ele já havia dito que, se houve escuta, não foi feita pela PF. Mas o ministro não descartou a possibilidade de policiais federais terem feito à revelia do comando da corporação a suposta escuta contra Mendes."Não foi feita pela instituição", declarou. "Se foi feita, foi por alguém totalmente à margem da estrutura de poder da Polícia Federal. Se houve, é uma escuta marginal."Para Tarso, o episódio é "absolutamente inaceitável". "Escuta ilegal clandestina é um crime. E feita contra o Supremo, se é que existe, não é só um crime, como uma vergonha." Ele lembrou que, se na escuta contra Mendes tiver sido usado o Guardião, instrumento oficial da PF para monitoramentos telefônicos, será fácil detectar o autor. O sistema exige que o usuário forneça digitais e registre a que investigação está ligado e quem ordenou o grampo.Tarso diz ser preciso avaliar o que o delegado Protógenes Queiroz quis dizer ao afirmar na CPI dos Grampos que recebeu ajuda informal da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) na Operação Satiagraha.Tarso lembrou que PF e Abin têm regras formais. "Teria de ver o que o delegado quis dizer com informais, se foi contato de pessoa para pessoa, sem passar pelos superiores. Tem de ser avaliado se foi uma coisa legal ou se precisa ser aberta sindicância."CAMPANHAOntem, Tarso garantiu que o candidato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à prefeitura é Molon, apesar de considerar Marcelo Crivella (PRB), Jandira Feghali (PC do B) e Eduardo Paes (PMDB) aliados. "Ele respeita seus aliados, mas, se o presidente votasse na cidade, votaria no Molon", garantiu. Tarso admitiu, porém, que Lula ainda não decidiu se vai aparecer no programa de TV do candidato petista.O ministro da Justiça defende a força do tripé Rio, São Paulo, Belo Horizonte, numa espécie de releitura da política café-com-leite que marcou o revezamento do poder nacional, executada na República Velha por paulistas e mineiros. "Seria um café-com-leite pós-moderno." Tarso continua hoje no Rio, onde se reunirá, às 10h30, com o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Carlos Ayres Britto, o presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), Roberto Wider, e o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, para discutir a segurança nas eleições da cidade.

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