Escultura imitando fezes provoca polêmica no Congresso

O artista plástico goiano Siron Franco levou para a frente do Congresso uma escultura de dois metros de altura representando excrementos humanos, segundo ele, para denunciar a corrupção no Senado. Não é a primeira vez que ele usa o cenário do Congresso para fazer protesto com arte. Siron já colocou na Esplanada dos Ministérios antas gigantes para criticar maus-tratos a animais e pequenos caixões para repudiar a mortalidade infantil.A obra "O que vi na TV", segundo Siron, foi feita no ano passado - com serragem, madeira e resina - para denunciar a contaminação da água e dos alimentos por coliformes fecais. Siron manteve a escultura guardada em Goiânia, mas afirmou que muitas pessoas que a viram em seu ateliê pediram que fosse exposta em frente ao Congresso, para representar a sujeira na política. Alguém perguntou a Siron se ele tinha feito "aquilo" e, inspirado em Pablo Picasso, o artista plástico respondeu que "foram eles", apontando o dedo para o Congresso.O deputado Aldo Arantes (PC do B-GO) disse que a exposição da obra foi autorizada pela presidência da Câmara dos Deputados. No ofício para expor a escultura, Arantes informou que a obra expressava "a indignação com a sujeira" no País. O deputado Fernando Ferro (PT-SP) disse que a escultura de Siron "materializou toda a obra que está sendo feita no Senado."O diretor da Câmara dos Deputados, Adelmar Sabino, foi ao local da exposição, em frente ao laguinho do Congresso, e pediu que a escultura fosse retirada até o meio-dia. A escultura ficou no local entre 10h15 e 11h40. Sabino evitou fazer comentários sobre o significado da obra, se realmente expressava a corrupção no Congresso. "A frustração da minha vida é não entender de arte" esquivou-se sorrindo.Siron decidiu doar a escultura para o Museu de Arte de Brasília (MAB), mas até o início da tarde o funcionário responsável não tinha ido buscar a obra. O artista plástico disse que queria doar a escultura para a Praça dos Três Poderes, onde ficam os prédios do Palácio do Planalto, do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF), mas até o início da tarde não tinha achado órgãos públicos interessados em ficar com sua obra.Entre os parlamentares que reagiram com mais indignação à escultura de Siron estavam Carlos Patrocínio (PFL-TO). Ele pediu providências à Mesa, para que retirasse a obra do local. Para alguns curiosos, a escultura de Siron refletiu o Congresso. "Isso expressa o que tem lá dentro do Senado", disse a estudante Adriana Rodrigues de Campos, de 13 anos.

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