Escritórios viram braço político do PSDB em São Paulo

Em escritórios distribuídos pelos principais municípios do interior paulista, o governo do Estado mantém "embaixadores" ligados ao PSDB. Representações de secretarias estaduais, que acompanham ações nas cidades, facilitam a liberação de verbas para convênios e fazem contatos políticos com as prefeituras das regiões, estão ocupadas por tradicionais quadros tucanos.

Agência Estado

28 de março de 2011 | 11h52

Levantamento feito pelo jornal O Estado de S. Paulo em escritórios da Secretaria de Habitação e da Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Regional mostra que a maior parte dos chefes dessas estruturas tem vinculação partidária com o PSDB ou com partidos da base aliada do governo estadual na Assembleia. O governo tucano administra o Estado desde 1995 e detém a maioria das 645 prefeituras paulistas.

Os escritórios possuem peso político estratégico: por eles, passam milhares de convênios para obras em infraestrutura e mobilidade urbana, no caso das estruturas ligadas ao Planejamento. No caso da Secretaria de Habitação, têm papel na relação direta com os mutuários das unidades habitacionais e no acompanhamento dos protocolos de intenção e posteriores convênios firmados entre Estado, por meio da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) e prefeituras.

Dos sete escritórios da CDHU no interior, chamados de gerências regionais, em quatro casos foi detectada filiação ao PSDB por parte dos diretores responsáveis. No caso dos Escritórios Regionais da Secretaria do Planejamento, os Erplans, das 14 estruturas, distribuídas pelas 14 regiões administrativas do Estado, sete estão com representantes tucanos, um com uma peemedebista e um com um ex-filiado ao PFL/DEM.

A maior parte dos funcionários veio de gestões anteriores do PSDB, como a de José Serra/Alberto Goldman ou de Mário Covas/Geraldo Alckmin.

Explicação

O governo nega que critérios partidários definam as nomeações. A Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Regional afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que a composição dos Escritórios Regionais de Planejamento Erplans obedece a critérios técnicos e que são avaliadas as competências gerenciais e administrativas de cada um dos candidatos aos cargos, "e não a preferência político-partidária de cada um deles, como os questionamentos da reportagem sugerem".

A nota da secretaria acusa ainda a reportagem de embutir "erro de origem ao confundir administração pública com filiação partidária". "A competência administrativa dos diretores dos Erplans tem contribuído significativamente para o desenvolvimento regional, prova disso foram os mais de 7.200 convênios celebrados nos últimos quatro anos entre o Estado e 641 municípios paulistas", afirmou a secretaria.

Segundo a secretaria, o quadro de diretores dos Erplans é composto por profissionais de diversas áreas, como engenheiros, sociólogos, professores universitários, advogados e servidores públicos de carreira. Dentre os 14 diretores nomeados, três exerceram mandatos no executivo municipal. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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