Escritório de Tosto aponta ''aberração''

Nota sustenta que denúncia não tem ''o mais remoto fundamento'' e ataca ''espalhafato irresponsável'' da PF

Adriana Chiarini, O Estadao de S.Paulo

25 de abril de 2008 | 00h00

O advogado e integrante do Conselho de Administração do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Ricardo Tosto, preso ontem pela Polícia Federal na Operação Santa Tereza, que apura desvio de recursos da instituição, tráfico de mulheres e exploração de prostituição, negou todas as acusações por meio de nota ontem do seu escritório, Leite, Tosto e Barros.''As operações em que uma empresa e uma prefeitura teriam supostamente sido beneficiadas por empréstimos do BNDES aconteceram antes de o advogado Ricardo Tosto integrar o conselho do banco, não tendo, nem remotamente, a sua participação'', diz a nota. O texto destaca que ''a associação absurda com ''prostituição e tráfico internacional de mulheres'' é uma aberração''.O escritório ''repele vigorosamente a acusação produzida'' contra Tosto, que considera ''divulgada com espalhafato irresponsável pela PF''. E promete tomar as medidas legais para fazer os responsáveis ''por essa violência inadmissível'' responderem por seus atos.A nota do escritório de Tosto afirma também que os conselheiros do BNDES não têm nenhuma função executiva na instituição e sim consultiva, com o objetivo de debater a política institucional do banco.Segundo a nota, ''não há o mais remoto fundamento nas imputações feitas'' pela polícia e Tosto não foi solicitado a prestar esclarecimentos antes de ser preso.COMUNICADO DO BNDESEm comunicado, o BNDES se colocou à disposição da PF para colaborar com as investigações ''em respeito aos princípios de transparência e rigor na utilização dos recursos públicos sob sua responsabilidade''.O banco informou que só ontem tomou conhecimento da operação e que espera a divulgação pela PF dos financiamentos suspeitos para que possa suspender os desembolsos, ''bem como adotar as medidas legais que possam ser necessárias''.Também disse ter ''o máximo interesse no rápido esclarecimento dos fatos''.FORÇAResponsável pela indicação de Tosto para o Conselho de Administração do BNDES, a Força Sindical afirmou que, ''sempre pautada pela transparência, vai esperar a apuração da PF para se pronunciar''.A Prefeitura de Praia Grande, citada pela PF, informou: ''Tratou-se do cumprimento de mandado de busca e apreensão específico sobre documentos não oficiais pertencentes a um servidor municipal. Ao gabinete coube disponibilizar o acesso dos policiais à sala do referido servidor. A administração municipal desconhece o teor da investigação policial.''O servidor preso, Jamil Issa Filho, já foi secretário de Urbanismo e Meio Ambiente e estava lotado no gabinete do prefeito, Alberto Mourão (PSDB). A assessoria de Mourão confirmou que lei municipal autorizou financiamento de até R$ 146 milhões para obras que fazem parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).Em nota oficial, a Marisa Lojas Varejistas Ltda. afirmou ''que o Sr. Boris Timonner não é executivo e nem faz parte do quadro de funcionários da empresa''. Segundo a nota, ele ''trabalha na Tnolplan Planejamento e Desenvolvimento de Negócios Ltda., empresa que presta serviços para a Marisa''.A rede foi questionada, no início da noite, sobre o financiamento de R$ 220 milhões que teria obtido no BNDES, mas não respondeu até o fechamento desta edição.COLABORARAM MOACIR ASSUNÇÃO, FAUSTO MACEDO E RODRIGO PEREIRA

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