DANIELA SOUZA/ESTADAO
DANIELA SOUZA/ESTADAO

Escritores assinam manifesto pela democracia

Entre os signatários estão alguns dos maiores nomes da literatura nacional, como Chico Buarque e Milton Hatoum

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

21 de março de 2016 | 19h32

RIO - Um total de 1251 pessoas, entre elas Chico Buarque, Milton Hatoum, Bernardo Carvalho, Marcelo Rubens Paiva, Raduan Nassar, Antonio Candido, Gregório Duvivier, Fernando Morais, escritores, editores, livreiros, ilustradores, professores da área de humanidades, revisores e tradutores, assinam um manifesto “contra as ameaças à democracia e às liberdades individuais, contra as ‘listas negras’, contra as perseguições e boicotes à liberdade de expressão e seus possíveis impactos na livre circulação das ideias”, e em defesa do estado democrático de direito no Brasil divulgado nesta segunda-feira, 21.

O texto foi publicado no site de organização de campanhas Avaaz. As assinaturas foram colhidas em um grupo de Facebook chamado Escritores e Profissionais do Livro pela Democracia, criado no último sábado, 19.

A iniciativa veio na esteira da polarização do debate político no País, devido aos últimos desdobramentos da Operação Lava Jato envolvendo a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Um dos organizadores, o livreiro Daniel Louzada, da tradicional livraria carioca Leonardo Da Vinci, estima que o número deve crescer para cerca de 2.000 assinaturas até o fim do dia. “O manifesto contempla um amplo espectro de apoios. A unidade está em torno dos valores democráticos, da preservação do estado de direito no Brasil e da preservação dos direitos fundamentais garantidos na Constituição, ameaçados por posturas crescentemente autoritárias e intolerantes. Em contextos como esses, sabemos, a cultura e o livro são as primeiras vítimas”, disse Louzada.

Leia o texto na íntegra:

“Nós, abaixo assinados, que escrevemos, produzimos, publicamos e fazemos circular o livro no Brasil, vimos nos manifestar pela defesa dos valores democráticos e pelo exercício pleno da democracia em nosso país, de acordo com as normas constitucionais vigentes, no momento ameaçadas.

Não podemos imaginar a livre circulação de ideias em outra ordem que não seja a da diversidade democrática, gozada de forma crescente nas últimas décadas pela sociedade brasileira, que é cada vez mais leitora e tem cada vez mais acesso à educação.

Ainda podemos nos recordar facilmente dos tempos obscuros da censura às ideias e aos livros nos 21 anos do regime ditatorial iniciado em 1964.

A necessária investigação de toda denúncia de corrupção, envolvendo a quem quer que seja, deve obedecer às premissas da legalidade e do Estado democrático de direito.

O retrocesso e a perda dos valores democráticos não interessam à maioria do povo brasileiro, no qual nos incluímos como profissionais dedicados aos livros e à leitura.

Ao percebermos as conquistas democráticas ameaçadas pelo abuso de poder e pela violação dos direitos à privacidade, à livre manifestação e à defesa, combinadas à agressividade e intolerância de alguns, e à indesejada tomada de partido por setores do Poder Judiciário, convocamos os profissionais do livro a se manifestarem em todos os espaços públicos pela resistência ao desrespeito sistemático das regras básicas que garantem a existência de um Estado de direito.

Dizemos não a qualquer tentativa de golpe e, mais forte ainda, dizemos sim à Democracia.”

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