Escolta militar protege bispo do Xingu no Pará

Ameaçado de morte por sua luta em defesa da Amazônia, o bispo do Xingu, dom Erwin Krautler, está desde esta quarta-feira sob escolta de quatro policiais militares na viagem missionária de cinco dias que empreende pelo município de Gurupá, no arquipélago do Marajó, a 375 km da capital paraense. Krautler tem recebido telefonemas anônimos que marcaram a data de sua morte para esta sexta-feira, 29. O bispo saiu de Altamira na segunda-feira para participar das celebrações da festa de São Benedito, padroeiro da população de Gurupá, um município de 27 mil habitantes. Desde que chegou na Amazônia, há 40 anos, o austríaco Krautler participa da festividade. Ele costuma acompanhar a procissão e depois visita comunidades pobres da região. "Essa é a primeira vez que tenho de andar com policiais me protegendo. Nunca precisei disso", afirmou o religioso após celebrar missa pela manhã. Para ele, a intenção dos telefonemas é intimidá-lo, mas considera isso perda de tempo. "As ameaças acontecem há muito tempo. Agora ficaram mais freqüentes. São feitas para criar um clima de temor. Se esperam que eu fique com medo, vão esperar muito. Digo coisas que precisam ser ditas", resumiu o missionário. No começo da tarde, ele caminhou pelas ruas da cidade à frente de aproximadamente oito mil pessoas, conduzindo a imagem de São Benedito. O bispo, por questão de segurança, não quis revelar quando pretende retornar à Altamira. Informou apenas que ainda pretende visitar muitas pessoas em Gurupá. A proteção especial ao bispo solicitada na terça à Polícia Federal pelo chefe da Procuradoria da República no Pará, Felício Pontes Júnior, será feita após o regresso do missionário à Altamira. Por determinação do superintendente da PF, José Ferreira Sales, os agentes começaram a investigar a origem dos telefonemas anônimos feitos nos últimos dias para a casa paroquial, residência de Krautler.

Agencia Estado,

27 Dezembro 2006 | 20h16

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