Escolha do presidenciável tucano fica para depois

Prevista para esta quinta-feira em São Paulo, a reunião entre o presidente nacional do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), e o prefeito de São Paulo, José Serra, para tratar da candidatura presidencial tucana, não será conclusiva. Foi com esta certeza que o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, embarcou para o Canadá na noite de terça-feira, para duas semanas de descanso. Não fosse assim, Aécio teria aguardado a reunião e a definição do nome do candidato, para depois viajar de férias com sua filha Gabriela. "Não há como este assunto se resolver em 24 horas", concorda o vice-presidente do partido, deputado Alberto Goldman (SP). Como as conversas ainda irão se estender pelos próximos dias, ele adianta que, "em hipótese alguma" Serra disputará a indicação partidária com o governador Geraldo Alckmin. "O Serra não irá nunca para a disputa, em nenhum foro partidário", diz. Goldman avalia que a situação de disputa interna complicou-se muito e que já não permite uma solução simplista, calcada apenas na palavra do presidente do partido ou do triunvirato que negocia o entendimento: Tasso, Aécio e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Na sua opinião, só um cenário abrirá a possibilidade de Serra colocar-se à disposição do PSDB para uma candidatura presidencial: a de uma instância partidária, como a executiva nacional, definir que ele é o mais competitivo e manifestar o desejo público de lançá-lo na disputa. Mãos amarradas"O Serra não tem outra alternativa a não ser aguardar a definição do partido, e esta definição inclui o governador (de São Paulo) Geraldo Alckmin", completa o deputado. Como Alckmin também já deixou claro que a simples manifestação do desejo de Serra de participar da corrida sucessória não o fará retirar seu nome da disputa, Goldman não tem dúvidas de que a situação requer mesmo uma manifestação oficial do PSDB. "O partido terá de fazer uma avaliação, tirar suas conclusões e falar com os dois pré-candidatos. A solução deste impasse, agora, depende da atitude do PSDB, como instituição, e da disposição do governador Alckmin", repete. Serrista assumido, o deputado insiste na tese de que a eventual candidatura do prefeito depende hoje desta manifestação clara e pública do PSDB. "É preciso que o partido diga ao Serra que ele é o candidato mais competitivo", cobra o deputado. Os serristas mais próximos do prefeito admitem que ele está de mãos atadas neste momento. O entendimento geral é o de que o máximo que ele poderá dizer é que está à disposição do PSDB, se o partido disser que o quer candidato e manifestar publicamente a avaliação de que ele é o que apresenta melhores condições de derrotar a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva."Se não houver consenso nas conversas, nos entendimentos conduzidos pela cúpula (o triunvirato tucano), talvez a executiva seja o órgão mais adequado para dirimir este conflito", opina Goldman, ao lembrar que os governadores tucanos podem ser agregados à Executiva Nacional. Ele admite que o mais desejável seria a convenção nacional. Mas a convenção reúne quase 200 tucanos de todo o País e só deve ocorrer em junho. "Já que não há como esperar até lá, o melhor caminho deve ser mesmo a executiva ampliada com os governadores", encerra o parlamentar.

Agencia Estado,

02 de março de 2006 | 05h25

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