Escolha do candidato não é uma decisão pessoal, diz Alckmin

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, evitou se aprofundar nesta quarta-feira nos temas relacionados à escolha do candidato tucano à presidência da República. Mesmo assim, voltou a dar sinais de que gostaria de estender a tarefa de escolher o candidato à coletividade do partido e não apenas à cúpula tucana. "Coloquei meu nome à disposição do PSDB. Não é uma decisão pessoal, é uma decisão coletiva", disse Alckmin, sem detalhar a declaração, após participar da missa de lançamento da Campanha da Fraternidade 2006. Ele insistiu que não há novidades no processo e negou que tenha agendado um encontro com o senador e presidente do PSDB, Tasso Jereissati, a exemplo do que deverá ocorrer ainda esta semana entre Tasso e o prefeito de São Paulo, José Serra. A expectativa é de que o presidente tucano obtenha de Serra uma resposta sobre sua disposição de deixar o cargo para disputar a presidência. Perguntado sobre se há uma resistência à escolha de seu nome na legenda, o governador apenas apontou que o prazo para a desincompatibilização de candidatos força uma antecipação das decisões para março, mas defendeu que não há necessidade de as escolhas ocorrerem logo nos primeiros dias do mês. "Não precisa ser no primeiro dia, pode ser daqui a uma semana, dez dias. Não há razão para correria", disse o governador. "O importante é que essa decisão seja uma boa decisão, que o partido esteja unido em torno dessa decisão, para fazer uma boa campanha."Religião e políticaAlckmin aproveitou a missa para o lançamento da Campanha da Fraternidade 2006 para dar continuidade a sua pré-campanha à presidência. A celebração, que tinha como tema os deficientes físicos no Brasil, chegou inclusive a ser interrompida para que o governador assinasse um decreto para a criação do Centro de Orientação e Encaminhamento para Pessoas com Necessidades Especiais e Famílias. Tanto Alckmin quanto o autor do projeto, deputado José Carlos Stangarlini, discursaram logo após a assinatura do documento.Alckmin negou que o evento seja um sinal de que a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) esteja manifestando um apoio a sua candidatura. "Toda a orientação da igreja é de apoiar teses, políticas públicas, mas não indicar pessoas", disse o governador.Política econômicaEle prometeu aplicar uma mudança na política econômica, caso venha a ser eleito presidente da República. O pré-candidato tucano voltou a atacar as políticas monetária e fiscal do governo federal, a fragilidade do crescimento do PIB, além dos níveis em que se encontram a taxa de juros e o câmbio."Não tenham a menor dúvida de que vou mudar (a política econômica)", afirmou Alckmin, em entrevista coletiva logo após a missa. "É evidente que isso está errado. Não é possível o Brasil ser condenado a ter um crescimento pífio", acrescentou. Alckmin destacou que a política monetária do Brasil tem levado os juros reais à casa dos 12% e empurrado o câmbio. O governador reconheceu que alguns elementos da atual política econômica serão mantidos caso venha a ser eleito, como é o caso do câmbio livre e do estabelecimento de metas de superávit primário. "Ter uma meta de superávit primário eu acho positivo", disse o governador, argumentando que esse instrumento permitirá a redução dos juros e a manutenção da confiança do mercado.

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