Escolha de presidente da Anatel tem interferência de Dilma

A indicação do embaixador Ronaldo Sardenberg para a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) foi precedida de uma intensa mobilização no governo, liderada pela ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Cansado de receber indicações de nomes com algum tipo de impedimento para comandar o órgão regulador, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva incumbiu Dilma de encontrar um candidato ao cargo que tivesse um currículo limpo e competência técnica. A ministra, então, pediu sugestões a seus colegas, parlamentares e assessores do governo. Entre os nomes apresentados, estava o do embaixador Sardenberg, que está deixando a chefia da missão permanente do Brasil na Organização das Nações Unidas (ONU). Segundo fontes consultadas por Dilma, a sugestão de Sardenberg foi feita pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. Diante de um currículo de fazer inveja, a ministra iniciou um processo de consulta entre vários setores do governo, do PT e das telecomunicações para saber das impressões sobre o embaixador. A resposta positiva sobre as qualificações dele foi o sinal verde para que Dilma pudesse sugerir seu nome ao presidente, que já havia manifestado intenção de ter Sardenberg em sua equipe. "Quero você perto de mim", disse Lula ao embaixador, ao fazer o convite, antecipado pelo Estado. Ligação tucana A simpatia de Lula por Sardenberg não é recente. Em seu primeiro mandato, o presidente chegou a pensar em mantê-lo no cargo de ministro da Ciência e Tecnologia, ocupado durante o governo Fernando Henrique Cardoso. Mas, na época, Lula foi demovido da idéia por partidários que viam em Sardenberg uma ligação forte com os tucanos. O mesmo argumento foi usado agora pelo presidente da Federação Interestadual dos Trabalhadores em Telecomunicações (Fittel), José Zunga, que considerou a indicação "um absurdo". Zunga, no entanto, tem sido voz isolada nas críticas ao embaixador. O nome de Sardenberg foi bem recebido tanto no Congresso quanto por entidades representativas de empresas de telefonia e TV por assinatura. Até o ministro das Comunicações, Hélio Costa, elogiou o embaixador. A nomeação de Sardenberg resolve um problema que se arrasta há mais de um ano, com o fim do mandado de Elifas Gurgel do Amaral, que presidiu a Anatel até 4 de novembro de 2005. Desde então, a agência vem sendo comandada pelo conselheiro Plínio de Aguiar Júnior, que assumiu o posto interinamente por seis meses e depois foi nomeado presidente por mais seis meses, numa espécie de "mandato tampão", renovado no fim do ano passado até 30 de junho deste ano. Rotatividade Durante o primeiro mandato de Lula, a Anatel teve quatro presidentes. Luiz Guilherme Schymura, nomeado por Fernando Henrique, ficou no comando do órgão durante 2003 e, em janeiro de 2004, foi tirado da presidência pelo governo e acabou se desvinculando da Anatel na metade de seu mandato. Durante 2004, a agência ficou sob o comando de Pedro Jaime Ziller, que voltou a ocupar uma vaga no conselho, quando em janeiro de 2005, o governo nomeou para o cargo Elifas Gurgel do Amaral. Além do posto deixado por Elifas, há ainda outra vaga no conselho diretor da Anatel, aberta no fim do ano passado, com a saída de Luiz Alberto da Silva. Uma das vagas é destinada ao PMDB, que não desistiu da presidência da Anatel. O partido se apega a uma interpretação regimental para sustentar a idéia de que primeiro sai a nomeação para o conselho diretor e, depois, escolhe-se o presidente entre os cinco conselheiros. Sendo assim, acreditam os peemedebistas, Sardenberg seria nomeado conselheiro e não presidente diretamente.

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