Escolaridade da criança brasileira depende da mãe

Uma professora universitária, com pós-graduação, que nasceu de mãe analfabeta é exceção na população brasileira. É o que se pode concluir do Relatório da Situação da Infância e Adolescência Brasileira, divulgado hoje pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). O documento mostra como a oportunidade ao longo da vida de uma pessoa dependeda escolaridade da mãe, do local onde nasceu, da cor da pele e da situação econômica da família.De acordo com o relatório, um recém-nascido no Nordeste tem quatro vezes menos chances de completar o primeiro ano devida em comparação com os bebês do Sul e Sudeste. Meninos e meninas negras têm duas vezes mais possiblidades de nãofreqüentar a escola do que os brancos. Uma criança pobre tem 68 vezes mais possibilidades de viver sem geladeira e freezer emcasa do que um rico. Criança cuja mãe estudou no máximo por um ano tem 23 vezes mais possibilidades de chegar analfabeto àadolescência do que o filho de uma mulher com 11 anos de estudo.O impacto da escolaridade da mãe sobre o futuro do filho vai além do desempenho escolar. Quem nasceu de um mulher quepouco estudou terá 16 vezes mais possibilidades de viver em casa sem água, sete vezes mais chances de ser pobre e quatrovezes mais possibilidades de começar a trabalhar ainda na infância do que aquele cuja mãe tem nível médio de escolaridade.?Ainda hoje, no Brasil, crianças e adolescentes têm seus direitos violados por suas etnias, por sua situação econômica e social, por sua situação de domicílio?, adverte o Unicef.A representante do Unicef no País, Reiko Niimi, afirma que ?o Brasil precisa reconhecer sua dívida e seu compromisso com cada um desses meninos e meninas?. Se não correr para promover a eqüidade entre brancos e negros, pobres e ricos, moradores em áreas urbana e rural e filhos de mulheres com diferentes graus de instrução, o Brasil não conseguirá cumprir as Metas do Milênio para chegar a 2015 com padrão mínimo de desenvolvimento. Hoje, 17,37% das crianças brasileiras vivem em casa sem água. Porém, se forem consideradas apenas as crianças residentes em áreas rurais este porcentual sobe para 54,6%. A meta do milênio para o Brasil é ter apenas 11,6% de suas crianças em casas sem abastecimento de água.O Unicef também divulgou ontem relatório sobre a Situação Mundial da Infância, em que o Brasil aparece na 93ª colocaçãonuma lista de 195 países. Quanto mais próximo da primeira colocação, pior é a situação do país em relação à taxa demortalidade de crianças com menos de cinco anos. Em comparação ao ano passado, o Brasil melhorou uma posição. Está afrente da China, África do Sul e Índia.O relatório mundial enfatiza que as meninas têm mais problemas de acesso à escola do que os meninos, principalmente porrazões culturais e econômicas. Existem no mundo 121 milhões de crianças fora da escola, sendo 65 milhões de meninas e 56milhões de meninos. No Brasil esta situação se inverte. Há muito mais meninos abandonando a escola quando atingem 10 anosdo que as meninas. As mulheres brasileiras têm mais instrução do que os homens. Entretanto, estranha Reiko Niimi, elasganham menos do que os homens, são em muito menor número no Congresso (cerca de 5% dos parlamentares). ?É precisodiscutir a qualidade das lições aprendidas na escola?, diz Reiko.

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