Escola precisa reformular horários e currículos, aponta estudo

Um estudo sobre o trabalho infantil, realizado pela professora do da Universidade de São Paulo, Ana Lúcia Kassouf, demonstrou a necessidade de reformulação nos currículos e horários escolares obedecendo realidades locais, para evitar a evasão e diminuir o número de crianças no mercado de trabalho. A mostra, entregue nesta sexta-feira no Ministério da Justiça, confirmou que o número de menores trabalhadores, na faixa etária entre 5 e 14 anos, continua sendo de três milhões, em torno de 9% da população do País.Segundo o estudo, a maior parte das crianças trabalhadoras estão na zona rural, principalmente no Sul do País. A região Nordeste é onde há o maior porcentual de menores no mercado de trabalho e também na zona urbana. ?Isto se deve à agricultura familiar no Sul, e à grande pobreza presente no Nordeste, o que obriga as crianças a trabalharem para ajudar na sobrevivência da família?, conclui a professora.Na zona rural, conforme Ana Lúcia, a decisão de os pais enviarem seus filhos mais cedo para o trabalho é mais freqüente. Na zona urbana isso acontece, mas em menor proporção. ?Os problemas enfrentado pelos menores ? transporte, disponibilidade de tempo, desemprego e fiscalização ? não existem ou são mais facilmente solucionáveis na área rural?, diz Ana Lúcia.O resultado da pesquisa, que confrontou dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com outros estudos realizados por especialistas de vários países, indicou que o grau de instrução dos pais tem grande influência entre as crianças trabalhadoras. ?A escolaridade do pai teve mais efeito do que o da mãe sobre o trabalho das crianças. Parece que os pais estão mais envolvidos com problemas relacionados à renda familiar, e as mães se preocupam com o desempenho escolar e a formação dos filhos?, conclui a professora.Outro detalhe confirmado no estudo é em relação ao tamanho dodomicílio e da família. Quando o imóvel é menor, aumenta a necessidade do trabalho e a baixa freqüência escolar. ?O número de irmãos novos teve um efeito positivo no trabalho e negativo na escolaridade das crianças, tanto na área urbana quanto na rural?, observa Ana Lúcia. Em se tratando de irmãos mais velhos, o prejuízo escolar se mantém apenas na zona rural. ?Ao contrário do que é observado em outros países, no Brasil, não ficou claro o fato de que a presença do irmão mais velho diminui a probabilidade de as crianças trabalharem?, conclui a professora da USP. Ana Lúcia sugere uma maior política de controle populacional como forma de reduzir o trabalho infantil. ?Uma vez que foi observado que um número maior de irmãos aumenta a probabilidade de as crianças trabalharem e reduz escolaridade?, afirma Ana Lúcia.

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