Escavações não encontram vestígios de guerrilheiro

Local onde teria sido enterrado Rodolfo Troiano tinha raízes e pedras ou ?anomalias de solo?, segundo radar

Leonencio Nossa, O Estadao de S.Paulo

13 de agosto de 2009 | 00h00

Geólogos e antropólogos da expedição montada pelo Ministério da Defesa para buscar ossadas de integrantes da Guerrilha do Araguaia (1972-1975), movimento armado contra a ditadura militar, fizeram ontem duas escavações no sítio Tabocão, em São Domingos do Araguaia, onde teria sido enterrado o guerrilheiro mineiro Rodolfo Troiano, o Manoel, morto no começo de 1974. Não foram encontrados vestígios no ponto indicado pelo ex-guia José Maria da Silva, o Zé Catingueiro, ouvido por observadores do grupo. Pela manhã, geólogos das universidades de Brasília e do Ceará passaram um radar numa área do sítio que indicou "anomalias" de solo em dois pontos. Nas escavações realizadas depois sob a coordenação de antropólogos do Instituto Médico-Legal do Distrito Federal e do Instituto Nacional de Criminalística ficaram evidenciadas que as "anomalias" eram pedras e raízes. À noite, os geólogos voltariam a analisar os registros feitos no local. Como há uma série de registros históricos de que Rodolfo Troiano foi morto no Tabocão, o general Mário Lúcio Araújo, responsável pela logística da expedição, sugeriu a avaliação de todas as possibilidades técnicas de buscas no sítio, um dos pontos mais prováveis de localização de restos mortais, segundo observadores do grupo. Simultaneamente às escavações no Tabocão, os geólogos e antropólogos também começaram a vasculhar o terreno da antiga base militar da Casa Azul, na região central de Marabá. Trata-se de uma das maiores áreas de busca de ossadas nesta etapa da expedição. Na avaliação de integrantes do grupo, são poucas as chances de encontrar ossadas na antiga base, pela dimensão do terreno e pela falta de referências de pontos. A Casa Azul está incluída no roteiro pela sua importância histórica no episódio da guerrilha. Embora seja tema frequente na mídia, a Guerrilha do Araguaia ainda é um capítulo da história do Brasil que está em plena construção. Até a próxima quarta-feira, especialistas vão rastrear e fazer escavações no Complexo Matrinxã e na Clareira do Cabo Rosa. As buscas só terminam no fim de outubro.

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