Escândalos ficam em ''banho-maria''

Casos de repercussão acabam em segundo plano no tribunal

Felipe Recondo, Brasília, O Estadao de S.Paulo

28 Julho 2008 | 00h00

Os escândalos recorrentes envolvendo políticos e as inúmeras operações da Polícia Federal deixaram esquecidas no Supremo Tribunal Federal (STF) investigações que envolvem ocupantes de cargos estratégicos na Esplanada dos Ministérios. Casos que ganharam notoriedade por diversas circunstâncias acabaram postos em banho-maria. O inquérito aberto para investigar o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), ex-presidente do Senado, depois da crise provocada pela suspeita de que uma empreiteira pagava a pensão de uma filha que teve fora do casamento, tramita no STF há quase um ano. Renan renunciou à presidência do Senado no final de 2007 para evitar uma possível cassação do mandato, depois de resistir por seis meses a uma enxurrada de acusações. Até o momento, o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, não deu sinal de que denunciará o senador. No mesmo ritmo caminha a investigação sobre a suposta participação do senador Álvaro Dias (PSDB-PR) no vazamento de dados do dossiê montado no Palácio do Planalto com gastos de cartões corporativos na gestão Fernando Henrique Cardoso. Foi um assessor de Dias quem recebeu por email uma cópia da lista de despesas feitas por FHC, por sua mulher, Ruth, e por integrandes do primeiro escalão de seu governo. Outro caso praticamente esquecido envolve o presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), que assumiu após a renúncia de Renan. Trata-se da denúncia de que houve desvio de R$ 9,3 milhões no Programa do Leite no Rio Grande do Norte, quando ele governava o Estado, de 1995 a 2002. O assunto ficou sob os holofotes no final do ano passado, mas caiu no esquecimento com o surgimento de outras denúncias. Exemplo mais recente, abafado pela Operação Satiagraha, da Polícia Federal, envolve o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o chamado Paulinho da Força Sindical, acusado de participação no desvio de recursos do Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O inquérito corre em segredo e deve demorar para ser concluído. Caso Paulinho seja cassado pela Câmara por quebra de decoro, o caso passará para a Justiça de primeira instância. DENUNCIADOS O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), viu-se obrigado a deixar o Ministério da Previdência depois de descobertas supostas irregularidade no empréstimo do Banco da Amazônia (Basa) à empresa Frangonorte, que tinha como um dos sócios o senador. A investigação está no STF desde 2005, sob sigilo de Justiça. Jucá foi denunciado no final do ano passado pelo procurador Antonio Fernando de Souza. A íntegra da denúncia é mantida sob sigilo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.