Escândalos derrubaram três presidentes desde 2001

ACM, Jader Barbalho e Renan Calheiros foram alvo de onda de denúncias

Daniel Bramatti, O Estadao de S.Paulo

02 de julho de 2009 | 00h00

A eventual renúncia de José Sarney (PMDB-AP) ao comando do Senado será a quarta queda de um presidente da Casa desde 2001. Antônio Carlos Magalhães, Jáder Barbalho e Renan Calheiros já tiveram de abrir mão do cargo por envolvimento em escândalos.Em maio de 2001, o baiano Antônio Carlos Magalhães, um dos principais líderes do PFL (atual DEM) e presidente do Senado, teve de renunciar ao mandato para evitar sua cassação e a perda de direitos políticos por oito anos. Acusado de violar o sigilo dos votos registrados pelo painel eletrônico do Senado, ACM foi alvo de um pedido de abertura de processo por quebra de decoro parlamentar.A violação do sigilo, segundo concluiu o Conselho de Ética do Senado, teve ainda a participação do então senador José Roberto Arruda (PSDB-DF), que também renunciou. Tanto ACM quanto Arruda voltaram ao Congresso na eleição seguinte, em 2002: o primeiro foi novamente eleito senador e o segundo, deputado federal.Em outubro de 2001, foi a vez de o sucessor de ACM no comando do Senado cair em desgraça. O peemedebista Jader Barbalho (PA) não resistiu a uma onda de acusações de corrupção e também renunciou ao mandato, deixando vago o cargo de presidente da Casa.A renúncia foi anunciada depois que o Conselho de Ética aprovou, por 11 votos contra 4, a abertura de processo por quebra de decoro parlamentar. O caso que o comprometeu estava relacionado a supostos desvios de recursos do Banco do Estado do Pará (Banpará). Jader nunca admitiu o envolvimento em irregularidades e, antes de renunciar, chegou a recorrer ao Supremo Tribunal Federal para tentar barrar o processo no Conselho de Ética. Chamou de "farsa" as conclusões da comissão que o investigou e atribuiu a tentativa de puni-lo a uma suposta "armação" promovida por ACM, seu desafeto.LOBISTAEleito presidente do Senado em 2005 e reconduzido ao cargo em 2007, o alagoano Renan Calheiros (PMDB) foi acusado, no início de seu segundo mandato, de receber recursos de um lobista ligado à construtora Mendes Júnior. Segundo reportagem publicada na época pela revista Veja, o lobista Cláudio Gontijo pagava pensão à jornalista Mônica Veloso, com quem Renan havia tido uma filha em um relacionamento extraconjugal.Gontijo admitiu fazer os pagamentos, mas negou ser dono do dinheiro. O senador peemedebista disse ter usado recursos próprios, fruto de uma suposta operação de venda de gado de suas fazendas. Investigações da Polícia Federal levantaram dúvidas sobre a veracidade das explicações.Outras reportagens publicadas na época apontaram Renan Calheiros como suposto usuário de "laranjas" para controlar empresas de comunicação em seu Estado.A situação política do senador se deteriorou e, em setembro de 2007, seu pedido de cassação foi votado, em sessão secreta, pelo plenário do Senado. Houve 40 votos favoráveis à cassação, um a menos do que o mínimo necessário para promover a punição.Mas as pressões contra o peemedebista, alvo de outros pedidos de cassação, se intensificaram. Ele acabou pedindo licença do cargo de presidente do Senado, em outubro de 2007, e não voltou a assumi-lo.Em dezembro daquele ano, outro processo por quebra de decoro chegou ao plenário, e Renan foi novamente absolvido, com o apoio de 48 dos 81 senadores. Diferentemente de ACM e Jader, o peemedebista conseguiu manter, ao menos, o mandato.

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