Escândalos dão vaga a nova elite parlamentar

Os sucessivos escândalos envolvendo parlamentares e a resultante troca de lideranças políticas no Congresso provocaram um elevado índice de renovação entre os 100 deputados e senadores mais influentes, segundo novo levantamento do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap). O estudo mostra que houve uma troca de 40% entre os parlamentares considerados do grupo de elite."Existe um grupo de 15 parlamentares que não estão no primeiro mandato e não faziam parte da lista, mas este ano passaram a se destacar entre os mais influentes", explica o analista político e diretor do Diap, Antônio Augusto de Queiroz. "Isso pode ter ocorrido devido a troca de lideranças no Congresso por causa dos escândalos de corrupção."A 14ª edição do livro Os Cabeças do Congresso Nacional, que lista os 100 deputados e senadores da elite, será lançado na primeira semana de agosto. O levantamento classifica os parlamentares em cinco categorias: os com mais habilidade para o debate, para a articulação, os melhores formuladores, os negociadores e os formadores de opinião. O levantamento deste ano tem 73 deputados e 27 senadores. Desses, 13 são nomes que nunca fizeram parte da lista. "Chamam atenção alguns nomes que chegaram e logo se destacaram como lideranças", disse Queiroz. Um dos casos é o deputado Flávio Dino (PC do B-MA). "Ele chegou nesta legislatura, não tem cargo nas comissões e mesmo assim já virou uma liderança, por ser considerado um dos maiores especialistas em questões jurídicas na Casa." Pela classificação do Diap, o parlamentar tem como característica principal o fato de ser um bom articulador. Outro caso é o do deputado Cândido Vacarezza (PT-SP), que chegou pela primeira vez ao Congresso e mesmo sem ter cargo se destacou como principal articulador da eleição de Arlindo Chinaglia (PT-SP) para a presidência da Câmara.O PT é o partido com o maior número de parlamentares mais influentes, segundo o Diap (25 entre deputados e senadores). O PMDB, maior partido da base aliada ao governo Lula, aparece em segundo lugar com 17 dos nomes mais influentes. O terceiro colocado é o PSDB, principal partido da oposição, com 16 deputados e senadores. Os partidos da base de sustentação do governo - PT, PMDB, PP, PTB, PR, PC do B e PSB - reúnem 62% da elite do Congresso. FORÇA POLÍTICAO levantamento feito pelo Diap mostra que existem seis parlamentares (dois deputados e quatro senadores) que desde que começou o levantamento, há 14 anos, sempre figuram entre os 100 mais influentes do Congresso. São eles os deputados Inocêncio Oliveira (PR-PE) e Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR), e os senadores Eduardo Suplicy (PT-SP), José Sarney (PMDB-AP), Paulo Paim (PT-RS) e Pedro Simon (PMDB-RS).Na lista deste ano, constou também o nome do deputado Julio Redecker (PSDB-RS), morto no acidente da TAM, na terça-feira. NÚMEROS73 deputadose 27 senadores fazem parte da lista do Diap este ano13 parlamentaresaparecem pela primeira vez 6 deles, 2 deputados e 4 senadores, estão entre os 100 mais influentes desde a primeira pesquisa, há 14 anos

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