Escândalo nos Transportes derruba coordenador do Dnit

Marcelino Augusto Rosa é o 20º a perder o cargo após denúncias de corrupção no Ministério dos Transportes

Leandro Colon, de O Estado de S. Paulo

29 de julho de 2011 | 13h38

BRASÍLIA - O Coordenador Geral de Operações Rodoviárias do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Marcelino Augusto Santa Rosa, perdeu o cargo. A informação foi confirmada nesta sexta-feira, 29, pela assessoria do órgão. Rosa é o 20.º funcionário do governo a ser demitido após as denúncias de esquema de corrupção no Ministério dos Transportes.

Rosa foi exonerado depois de reportagem do jornal O Globo, publicada nesta sexta, mostrar o envolvimento de sua mulher em negócios com o Dnit. Segundo o jornal, a mulher dele, Sônia Lado Duarte Rosa, é procuradora de oito empresas contratadas pelo Dnit, a maioria ligada à sinalização de rodovias. A exoneração do coordenador deve ser publicada na segunda-feira no Diário Oficial da União (DOU).

Não é a primeira vez que a mulher de um servidor do órgão se envolve no escândalo dos Transportes. Recente reportagem do jornal O Estado de S. Paulo mostrou que uma construtora da mulher do diretor executivo do Dnit, José Henrique Sadok de Sá, recebeu R$ 18 milhões para tocar obras em rodovias federais vinculadas a convênios com a própria autarquia. Sadok também perdeu o cargo.

Desde o início da crise, 20 pessoas foram afastadas, entre elas o ex-ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento. Nesta sexta, o novo ministro, Paulo Sérgio Passos, afirmou que se necessário, fará novos "ajustes" na composição do ministério e do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), afastando mais pessoas, para dotar o órgão "das melhores condições do ponto de vista do profissionalismo".

Passos anunciou que será publicado no Diário Oficial um decreto dando poderes ao Conselho de Administração do Dnit para garantir o funcionamento do órgão até a nomeação dos novos diretores. O ministro adiantou que a presidente Dilma Rousseff deve escolher os novos diretores e encaminhar seus nomes para análise do Senado na próxima semana.

Segundo Passos, o decreto dará condições para que a "administração do órgão possa ocorrer de forma normal". Até a efetivação da nova diretoria, os membros do conselho de administração poderão designar substitutos temporários, para evitar a "paralisia do órgão". Passos também reafirmou que está à disposição do Congresso para prestar esclarecimentos sobre a crise no ministério, caso seja convidado ou convocado a comparecer a uma das Casas legislativas. Ele acrescentou que o encaminhamento desse depoimento caberá à "área política do governo". / COM ANDRÉA JUBÉ

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