?Escândalo é o uso político da ética?, diz FHC

O presidente Fernando Henrique Cardoso se defendeu, esta manhã, das acusações de que o governo teria usado a liberação recursos para barrar a CPI da corrupção. Sem mencionar diretamente o arquivamento da CPI, ele disse que não há espaço para a discussão fisiológica e que não há um gasto do governo federal que não esteja disponível na internet pelo Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi) que não tenha sido feito com aprovação do Congresso Nacional. Segundo Fernando Henrique, não há maneira de o Executivo discriminar recursos em favor "de A ou B". Em discurso que proferiu no seminário comemorativo do 1º aniversário da Lei de Responsabilidade Fiscal, no Palácio do Itamaraty, Fernando Henrique criticou duramente aqueles que acusaram o governo de ter promovido barganha com recursos públicos para barrar a CPI. "É muito fácil ir na Internet e fingir que não houve a execução e que teve discriminação entre A e B. É muito fácil verificar um conjunto de liberações que obedecem rigorosamente uma ordem, e dizer que isso foi feito porque o Executivo queria a obtenção de tal e tal vantagem", observou o presidente. "Isso não é intelectualmente honesto". Segundo ele, para desmoralizar o que é bom, não se pode utilizar os instrumentos de verificação democrática para que sirvam de forma distorcida para desmoralizar aquilo que foi construído. Ele disse também que, com as novas regras, crescentemente não há espaço para a chamada fisiologia, a menos que, como no regime militar, se proíbam os congressistas de terem emendas. "Por que fingir que as coisas não são corretas, se o são? Se não forem, está bem. Mas, quando são corretas, por que fazer esse escândalo do que não é escândalo? Escândalo é o uso político da ética", afirmou.

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