Escândalo dos grampos agita campanha em Salvador

O escândalo dos grampos telefônicos descoberto na Bahia no início de 2003 já está agitando a sucessão municipal antes mesmo do início do horário eleitoral gratuito. Um boato de que a empresa telefônica Tim teria fechado acordo para que dois candidatos a prefeito, Nélson Pelegrino do PT e Benito Gama do PTB, não usassem o caso durante o período eleitoral, mediante uma indenização de R$ 500 mil para cada um, esquentou a campanha. Pelegrino, Gama e o deputado Geddel Vieira Lima (PMDB) - que apoia a candidata do PSB à prefeitura Lídice da Mata - integram a lista de mais de 200 pessoas cujos telefones foram grampeados entre 2001 e 2002 num esquema montado dentro da Secretaria de Segurança Pública da Bahia. Os três usavam aparelhos da Tim/Maxitel e quando o escândalo estourou anunciaram que iriam processar a companhia telefônica e o governo baiano. Os três tem em comum o fato de serem inimigos políticos do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) a quem sempre acusaram de mentor intelectual das escutas telefônicas ilegais. A expectativa é que na campanha, o candidato do PFL, senador César Borges seja inquirido pelos adversários sobre os grampos pois além de ser o candidato do grupo liderado por ACM, ele era o governador da Bahia na época em que o esquema foi montado. Com o acordo, a Tim estaria se preservando do desgaste de ter o nome citado durante os embates entre os candidatos. O ex-deputado Benito Gama garantiu hoje que "não existe acordo" e que vai tratar "com certeza" do assunto "grampo" na campanha. "Ocorreu no governo do César Borges e é claro que cobraremos explicações dele", disse. O deputado Nélson Pelegrino (PT) preferiu não falar sobre o assunto, informando por meiuo de sua assessoria que está processando o governo do Estado e Tim pelo caso. Já o deputado Geddel Vieira Lima , a primeira pessoa que pediu uma investigação da Polícia Federal sobre as escutas ilegais, confirmou que representantes da companhia telefônica procuraram seus advogados no ano passado, mas ele recusou qualquer acordo fora do processo que move contra a Tim. "Grampearam conversas minhas com meus familiares e amigos de uma forma criminosa e busco uma reparação da Justiça para os danos morais, nem que demore anos", disse, explicando que se a Tim quer negociar qualquer coisa precisa ser na frente do juiz e com o aval dele. "Vou acolher a decisão da Justiça se indenização for de um real ou de R$ 50 milhões".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.