Escândalo do silicone adulterado assusta latino-americanas

O medo e a revolta estão se espalhando entre latino-americanas que usaram próteses mamárias produzidas pela empresa francesa Poly Implant Prothese (PIP) com silicone industrial, o que as tornava mais baratas, mas causa riscos à saúde.

HELEN PO, REUTERS

26 de dezembro de 2011 | 18h13

As próteses da extinta marca PIP se rompem com maior facilidade, o que levou as autoridades francesas a orientarem as usuárias a retirarem-nas. Cerca de 300 mil implantes da marca foram vendidos no mundo todo, sendo dezenas de milhares na América Latina, onde há grande procura por cirurgias plásticas estéticas.

A advogada argentina Virginia Luna, de 34 anos, pleiteia que as clínicas ofereçam próteses de outras marcas para substituir as da PIP. Ela disse representar 50 mulheres, e que algumas já selaram acordos extrajudiciais com as seguradoras dos cirurgiões responsáveis pelos implantes.

Na Venezuela, onde próteses de silicone chegam a ser sorteadas em rifas ou dadas por pais às suas filhas no aniversário de 15 anos, há grande apreensão entre as usuárias. Passando férias numa praia, a professora Martha, de 47 anos, contou que implantou silicone há quase dez anos, e nunca teve problemas.

"Mas, como tenho lido todas essas histórias sobre as próteses francesas estourando e dando câncer, devo admitir que isso me despertou alguns medos. Não tenho ideia de qual marca é a minha, mas vou verificar com meu médico em Caracas assim que voltar de férias."

A França está investigando uma possível conexão entre casos de câncer e o gel usado nos implantes da PIP, mas até agora não existem evidências.

Em 2010, Brasil, Argentina e Colômbia já haviam proibido a venda de próteses dessa marca. As autoridades recomendam que as mulheres afetadas consultem seus médicos, mas algumas pessoas acham que é preciso haver mais punição.

Mais de 25 mil próteses PIP foram usadas no Brasil antes da proibição. A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica estima que entre 200 mil e 300 mil cirurgias de aumento de mamas sejam feitas a cada ano no país.

O cirurgião plástico José Carlos Daher, fundador do Daher Hospital Lago Sul, em Brasília, admitiu que há pacientes com medo. "Elas estão muito preocupadas com o que têm lido", disse Daher, acrescentando que nunca usou próteses PIP.

Essa preocupação existe também no Panamá. Lá, o cirurgião plástico Raúl de Leon disse ter já retirado duas ou três próteses PIP que se romperam prematuramente. "Já estamos na pista desses implantes há algum tempo", disse o médico, que é presidente da associação local de cirurgiões plásticos.

Em Buenos Aires, uma clínica está oferecendo cirurgias gratuitas para a substituição da prótese defeituosa - a paciente precisa pagar apenas o valor da prótese nova, entre 500 e 1.000 dólares o par.

Em seu site, a clínica Centros B y S disse estar oferecendo a operação "por solidariedade" às mulheres atingidas.

(Reportagem adicional de Guido Nejamkis na Argentina, Andrew Cawthorne na Venezuela, Peter Murphy em Brasília e Sean Mattson no Panamá)

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