Escândalo derruba cúpula da PM no Distrito Federal

Comandante, 5 oficiais e 1 sargento foram denunciados por desvios

BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

15 de maio de 2009 | 00h00

A cúpula da Polícia Militar do Distrito Federal foi exonerada ontem depois que uma investigação da Promotoria Militar apontou indícios de desvio de dinheiro público na corporação. O comandante da PM, cinco oficiais e um sargento foram denunciados. Na acusação, o promotor Mauro Faria de Lima sustenta que o grupo de policiais pagou quase R$ 1 milhão a uma concessionária da Mitsubishi, em Brasília, que teria fornecido notas frias por serviços não prestados. Só no ano passado, de acordo com a investigação do Ministério Público Militar, a despesa com esses serviços chegou a R$ 29 milhões. A maioria dos contratos foi feita sem licitação. Entre os acusados, figuram o então comandante-geral da Polícia Militar, o chefe do Centro de Inteligência da PM e o diretor de Finanças da corporação. Todos foram exonerados ontem pelo governador José Roberto Arruda, que foi informado que os militares seriam presos, sob alegação de potencial dano à investigação, caso permanecessem nos cargos.MANOBRASegundo a denúncia da promotoria, cujo teor foi revelado pelo site do jornal Correio Braziliense, a PM e a concessionária apresentaram notas fiscais falsas para atestar serviços mecânicos não realizados e justificar o repasse de dinheiro à empresa.O grupo teria se aproveitado de um contrato da Polícia Militar com a concessionária, cujo objeto original era a realização de revisões das 56 caminhonetes L200 Mitsubishi destinadas ao policiamento, para cometer as supostas fraudes. Os veículos foram comprados no fim de 2006 e começaram a rodar em janeiro de 2007.Chamou a atenção do promotor Mauro Faria de Lima o fato de que, apesar de novas, as picapes apresentaram danos sérios, segundo as notas fiscais. Das 56 caminhonetes, sete trocaram o motor de arranque, oito substituíram o eixo que liga o motor às rodas traseiras, nove puseram nova bomba injetora de combustível e dez mudaram o alternador. INQUÉRITOSAs supostas irregularidades, de acordo com o Correio Braziliense, são alvo de dois inquéritos policiais militares (IPMs), abertos para apurar crimes ocorridos na prestação de contas do contrato com a concessionária. O Ministério Público Militar abriu investigação em abril do ano passado, com base numa carta anônima endereçada ao promotor Mauro Faria de Lima. O texto aparentemente foi escrito por um integrante da Polícia Militar, pois indica bom conhecimento sobre as atribuições de cada oficial da corporação.

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