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Desafeto de Regina participa de almoço com secretária e Bolsonaro no Planalto

Sergio Camargo, presidente da Fundação Palmares, foi convidado; almoço é visto como um momento que pode definir a continuidade de Regina Duarte no governo

Emilly Behnke e Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

06 de maio de 2020 | 12h43

BRASÍLIA – O presidente da Fundação Cultural Palmares, Sergio Camargo, foi convidado pelo presidente Jair Bolsonaro nesta quarta-feira, 6, a participar do mesmo almoço no Palácio do Planalto em que estava a secretária de Cultura, Regina Duarte. Camargo e Regina viraram desafetos após a secretária tentar tirá-lo do cargo.

“Ela (Regina) apresentou seus planos, projetos. Fez um pequeno discurso. Em seguida, fomos para o almoço”, disse o presidente da fundação. Segundo Camargo, o assunto “cargos” não foi discutido. “Pergunte a secretária ou ao presidente. Não compete a mim decidir quem fica ou não no cargo”, afirmou sobre a especulação da permanência de Regina no governo.

O presidente da Fundação destacou que teve “uma boa conversa” com a secretária. “Hoje não houve divergências, foi um almoço muito agradável”. Além deles, o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, participou do encontro.

Regina, acompanhada de equipe na Secretaria, estava expondo o que fez nestes dois meses e o que pretende fazer na pasta, quando Camargo chegou, convidado pelo presidente, para o almoço. Ela classificou como “excelente” e “leve” a reunião seguida de almoço quando se encontrou, pela primeira vez, com Camargo, a quem não conhecia. “Ele não é meu desafeto. Eu o adorei. É muito legal”, declarou ela ao Estado. “A narrativa que me chegou dele não se confirma em uma conversa de um almoço em que eu vejo uma pessoa absolutamente diferente de tudo que foi colocado e por isso, sou grata ao presidente por ter nos aproximado para que a gente pudesse conversar olho no olho”, declarou.

O encontro entre Bolsonaro e Regina foi marcado após o governo renomear para a presidência da Funarte o maestro Dante Mantovani, afastado do cargo logo após a posse da nova secretária de Cultura. No fim do dia, a nomeação foi suspensa, mas o gesto foi visto no governo como um processo de “fritura” de Regina.

Como revelou o Estado, Bolsonaro está incomodado com a ausência de Regina em Brasília e acredita que a secretária é suscetível ao setor “todo de esquerda”. Já a secretária se sente desprestigiada e pressionada pela “ala ideológica” do governo. O almoço com Regina, contudo, foi marcado para que os dois pudessem discutir a relação.

Em conversa com sua assessora de imprensa na manhã de terça-feira, 5, Regina relatou a surpresa com a nova nomeação de Mantovani e disse achar que o presidente quer demiti-la. O áudio foi gravado pela revista eletrônica Crusoé. “Que loucura isso, que loucura. Eu acho que ele está me dispensando”, diz trecho da conversa captada pela publicação.

Na secretaria de Cultura, o processo de “fritura” de Regina é tema recorrente entre os integrantes da pasta. A atriz de 72 anos tem ficado em sua residência em  São Paulo durante a pandemia do coronavírus. Por integrar o grupo de risco, ela tem participado de reuniões por videoconferência.  A ausência física, no entanto, intensificou os reveses que tem sofrido com o grupo ideológico do governo, avançando sobre as nomeações na Cultura.

Ao mesmo tempo, a secretária que aceitou o cargo no governo  após ser cortejada pelo presidente e integrantes do governo acabou ficando isolada. Regina teve a escolha para o cargo defendida pelo ministro Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo, como um nome para apaziguar os ânimos e recuperar a imagem do governo após a demissão em janeiro do ator Roberto Alvim, então secretário de Cultura que gravou um vídeo com referências ao nazismo.

Há alguns dias, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que "infelizmente a Regina está trabalhando pela internet" e que esperava que ela estivesse mais próxima. “Eu gosto de conversar pessoalmente com as pessoas. A gente espera que restabeleça a normalidade rapidamente no Brasil para poder funcionar.”

Nomeação

A indicação de Sérgio Camargo para a presidência da Fundação Palmares foi criticada principalmente pelo movimento negro. Camargo já rejeitou publicamente a existência de racismo no Brasil, além de ter opinado que a escravidão foi positiva para os negros brasileiros. Ele chegou a ter a nomeação barrada judicialmente, em uma decisão que depois caiu.

Sérgio Camargo foi nomeado presidente da Fundação Cultural Palmares no dia 27 de novembro de 2019 e teve sua nomeação suspensa poucos dias depois, em 4 de dezembro, pelo juiz federal substituto Emanuel José Matias Guerra, da 18ª Vara Federal de Sobral (CE). Após recurso da Advocacia Geral da União, Sergio assumiu o cargo no fim de fevereiro.

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