Erundina alfineta Lula: 'Ele notou o fora que deu'

Cortejada por simpatizantes no gabinete e nos corredores do Congresso, a deputada Luiza Erundina (PSB-SP) reviveu ontem dias de entrevista coletiva concorrida, com direito a uso de sala reservada para CPIs e cadeiras todas ocupadas. A repercussão da renúncia à pré-candidatura a vice-prefeito na chapa do petista Fernando Haddad a deixou à vontade para engrossar as críticas ao ex-presidente Lula e até apostar no arrependimento dele.

CHRISTIANE SAMARCO, EDUARDO BRESCIANI, ESTADÃO.COM.BR / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

21 Junho 2012 | 03h06

"O Lula é sensível, é intuitivo. Ele, a essas alturas, já deve ter percebido o fora que deu", disse Erundina, para quem o ex-presidente cometeu uma traição não a ela, mas "a princípios".

A saída de Erundina do posto de vice na chapa para a Prefeitura de São Paulo colocou a atuação de Lula em discussão. O padrinho de Haddad foi criticado por políticos de PT e PSB pelo "erro" de ceder ao capricho de Paulo Maluf (PP), selando a parceria com uma foto nos jardins da casa do adversário histórico.

O PSB eximiu-se de culpa no episódio da vice. Um dirigente do partido, que pede anonimato para não comprar briga pública com o ex-presidente, atribuiu o problema ao fato de Lula "achar que pode tudo". "Em São Paulo a conversa é diferente, o pode tudo dele é limitado porque há uma rejeição grande ao PT."

'Viuvez'. Enquanto no PSB houve quem se sentisse aliviado com a saída da "vice-bomba" difícil de ser controlada, entre os petistas ainda há certo clima de "viuvez", principalmente entre os que foram próximos de Erundina quando ela era filiada ao PT.

O senador Eduardo Suplicy (SP), de quem Erundina foi vice na chapa para a Prefeitura em 1985, quer aproveitar a reunião plenária com Haddad para o debate do programa de governo, no sábado, para rediscutir a questão. "A saída de Erundina tem de ser objeto de reflexão e a plenária será uma oportunidade para isso", antecipou o senador.

Cautelosa, a deputada direcionou seu protesto à parceria com Maluf e poupou Haddad - até porque seu partido segue na aliança com o PT. "A presença do Maluf só atrapalha, desqualifica, afasta as pessoas, tira a credibilidade de quem está junto com ele, mesmo uma pessoa como o Haddad, que é o melhor candidato para São Paulo", afirmou Erundina, momentos antes de ser interrompida pelo ex-líder petista Paulo Teixeira (SP), que foi demonstrar solidariedade à deputada durante a coletiva.

Estratégia nacional. A parceria com Maluf é dada como fato consumado no PSB, independentemente da vice. O partido avalia que a aliança vale a pena dentro da estratégia nacional de derrotar o PSDB onde ele é mais forte: na capital paulista. Os dirigentes ressaltam, porém, que Haddad perde com a saída da deputada porque ela seria "mais petista" do que ele, por ter sido uma fundadora do partido e ter profunda ligação com a militância.

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