Erundina acha impossível se adequar à LRF em maio

A candidata a prefeita de São Paulo Luíza Erundina (PSB) disse neste domingo que será impossível enquadrar as contas do município no cronograma da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), a partir de maio. "Não é factível pagar R$ 5 bilhões em maio do próximo ano", afirmou. "Isso inviabilizaria a cidade, paralisaria a administração e a manutenção dos serviços públicos."Será inevitável, na opinião de Erundina, a renegociação da dívida com o governo federal. "Creio que a repactuação é possível, pois a área econômica do governo não vai assumir o ônus de tornar a cidade inviável. A solução do problema não compete só a São Paulo, mas a todo o País, já que se trata de 50% da dívida de todos os municípios brasileiros."Erundina lembrou que, quando assumiu a prefeitura de São Paulo, em 1988, sucedendo o ex-prefeito Jânio Quadros, herdou uma dívida eqüivalente à que o novo prefeito receberá em 2005. "Na época, eu negociei e já sei como fazer isso."Ela também disse que, se eleita, pretende aplicar melhor os recursos públicos do que a prefeita Marta Suplicy (PT), candidata à reeleição. Deu como exemplo da má aplicação de recursos na atual administração o excesso de cargos em comissão."Os cargos de livre provimento, com os melhores salários, cresceram exageradamente com o PT, no governo federal e aqui em São Paulo. A administração federal já criou mais de 3 mil cargos desse tipo, e na cidade o volume foi igual ou maior."A deputada federal visitou pela manhã a Associação dos Moradores do Casarão - um conjunto habitacional na Avenida Celso Garcia, na zona leste. O conjunto, onde moram 182 famílias, foi construído em forma de mutirão, com recursos administrados pela própria comunidade e usando mão-de-obra local.O estímulo a esse tipo de construção foi uma das principais características da administração de Erundina na área da habitação. No tempo em que esteve na Prefeitura, foram iniciados 126 mutirões, com um total aproximado de 10 mil unidades habitacionais. Ela disse hoje que, se reeleita, pretende voltar a estimular esse tipo de obra.Segundo informações de Salomé Barros Felipe, coordenadora da associação de moradores, o local abrigava antes um cortiço, com dezenas de famílias. A maioria delas hoje mora no conjunto.

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